Cuidado, 'cheirinho da loló' é mais perigoso do que parece


A causa da morte, na madrugada de segunda-feira, do adolescente de 17 anos que passou mal após consumir maconha e loló no Emissário Submarino, ainda não foi identificada. Mas, a suposta overdose pode ter sido causada pela inalação de loló, que é um preparado clandestino à base de clorofórmio e éter.

A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) classifica o loló, também conhecido como cheirinho da loló, como solvente ou inalante, que são substâncias consideradas inofensivas aos outros órgãos, a não ser o cérebro. 

No entanto, um fenômeno produzido pelos solventes pode ser muito perigoso: eles tornam o coração mais sensível à adrenalina (hormônio fabricado pelo organismo), que faz o número de batimentos cardíacos aumentar.

“O clorofórmio é um anestésico que deixou de ser usado na Medicina porque pode provocar parada cardíaca. Se quem o inala tiver um problema no coração, o risco de ataque cardíaco é ainda maior”, afirma o cardiologista César Augusto Conforti.

De acordo com dados da Senad, a inalação frequente de solventes também pode levar a lesões da medula óssea, dos rins, do fígado e dos nervos periféricos que controlam os músculos. 

Em alguns casos, principalmente quando existe no solvente uma impureza, a inalação do loló pode causar a queda na produção de glóbulos brancos e vermelhos pelo organismo. 

Outras causas associadas às mortes provocadas por inalantes são os sufocamentos (acidentes com o saco plástico usado para inalar cola de sapato) e quedas provocadas por vertigens ou perda de reflexo – ambas, reações causadas em quem cheira solventes.

Controle

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não permite a venda de inalantes que afetam o sistema nervoso central para menores de 18 anos. O clorofórmio integra a extensa lista de substâncias cuja comercialização é proibida ou controlada pelo órgão. 

Porém, quando os fabricantes de loló não encontram no mercado os componentes do preparado caseiro, eles misturam qualquer substância ao cheirinho da loló. 

“A cada semana, surge uma nova droga química no mundo. Por isso, a Senad já discute o controle de todos os tipos de solventes no País”, diz o perito químico indicado pela Polícia Federal ao Conselho Municipal Antidrogas (Comad), Francisco Artur Cabral Gonçalves.

Segundo ele, há substâncias químicas que trazem alterações ao cérebro, cuja venda é permitida em pequenas quantidades. “Algumas podem ser compradas no limite de até dois litros. Como esse tipo de droga é caseiro, a quantidade é suficiente para o preparo”, explica Gonçalves.

Assim como o álcool e a maconha, o loló é considerado porta de entrada para a dependência química.

Efeitos

A inalação de solventes causa dependências química e psíquica. A síndrome de abstinência, embora de pouca intensidade, acontece após interrupção abrupta do uso da droga, com o surgimento de ansiedade, tremores, cãibras nas pernas e insônia. Entre os efeitos do loló, o que predomina é a depressão, principalmente, com dano ao funcionamento cerebral.

A maioria dos usuários é do sexo masculino, com idade entre 18 e 24 anos. Para as mulheres grávidas, há o risco de prematuridade, morte pré-natal, anormalidades no crescimento e quadros semelhantes à síndrome alcoólica fetal (microcefalia, malformações faciais, cardiovasculares ósseas e renais). 


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