Leite produzido em universidade ajuda na redução de peso

O consumo diário de um copo de 80 ml de um leite fermentado ajudou um grupo de pessoas a emagrecer. Em média, cada uma das 51 pessoas perdeu três quilos em 45 dias. A redução de peso foi um dos benefícios apontados em uma pesquisa realizada por uma aluna e duas professoras do mestrado de Ciências e Tecnologia de Leite e Derivados da universidade Unopar, em Londrina, no norte do Paraná.


O leite fermentado utilizado na pesquisa é chamado de probiótico, com alta contagem de microorganismos vivos. O produto foi desenvolvido na própria universidade. De acordo com as pesquisadoras, o microorganismo utilizado na pesquisa é de uma linhagem comercial, aprovado para o consumo humano.

O objetivo inicial era ver qual seria a reação deste microorganismo na imunidade das pessoas.  “Como nosso foco era na área de saúde, nós produzimos o leite na universidade e avaliamos o efeito dele. Nossa ideia era observar quais os efeitos que o produto teria nesses pacientes”, diz a professora Giselle Nobre, uma das responsáveis pela pesquisa.

Foram selecionados 51 voluntários, homens e mulheres com idade entre 35 e 50 anos, para avaliar como esse leite reagia no organismo. As pessoas selecionadas são pacientes com síndrome metabólica, ou seja, apresentam alterações no colesterol, diabetes, têm obesidade, todos fatores de risco para doenças cardiovasculares”, explica a professora.

Além da síndrome metabólica, foi exigido que os selecionados não consumissem nenhum tipo de antibiótico e, durante a pesquisa, não alterassem o ritmo de vida. “Elas mantiveram os mesmos hábitos de alimentação e de atividades físicas. Nada mudou”, afirma a professora.

A pesquisa teve duração de dois anos. Para o teste com o grupo de voluntários, foram produzidos mais de 300 litros de leite, distribuídos em doses diárias de 80 ml.

Com o consumo do leite probiótico, os pacientes apresentaram redução no colesterol e perda de peso. “Foi uma surpresa. Não era um fator esperado, já que seria algo mais demorado para acontecer. Podemos dizer que o efeito de redução dos fatores de riscos cardiovasculares pode ser relacionado à ingestão do micro-organismo presente no leite”, analisa a professora.

Já para os participantes da pesquisa, a vontade era continuar consumindo o leite. “Se pudesse, continuaria sim. O leite me fez muito bem. Ajudou tanto na redução de peso como também normalizou minhas taxas de triglicérides e também de colesterol. Tudo isso sem nenhuma mudança na minha rotina”, conta a servidora municipal Dulcinéia Moura.

O grupo consumiu o leite probiótico por 90 dias. Os dados iniciais levantados até agora são referentes aos primeiros 45 dias da pesquisa, explicam as pesquisadoras.

A dissertação de mestrado da aluna Luciana Bernini foi apresentada com os resultados da pesquisa. A professora Cínthia Hoch também participou do projeto.

Segundo a professora, a pesquisa já apresenta outras possibilidades, tanto para a área médica como para a indústria alimentícia. “Vamos continuar esse estudo, avaliar os dados, os efeitos causados”, diz Giselle.  De acordo com a professora, não há previsão de o produto ser comercializado.

Do G1 PR

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