Pesquisa revela as bases neurais da atração e da rejeição

O comportamento sexual das mulheres é um enigma que desafia os homens desde a aurora dos tempos. Entre os seres humanos, a receptividade ou rejeição a uma abordagem depende de muitos fatores, da aparência e idade a questões culturais e socioeconômicas. Mas o quanto ciclos biológicos naturais, como a fase no período menstrual, e os hormônios neles envolvidos, influenciam nesta decisão ainda é alvo de muitas controvérsias. 


Assim, pesquisadores do Centro Champalimaud para o Desconhecido, em Lisboa, decidiram observar diretamente as mudanças no funcionamento do cérebro de fêmeas de camundongos ao longo de seus ciclos reprodutivos em busca de mais pistas.

- É bem sabido que o comportamento das fêmeas de camundongos muda dramaticamente durante as diferentes fases de seu ciclo reprodutivo, chamado de ciclo estral – conta Susana Lima, líder do estudo, publicado nesta quinta-feira no periódico científico “Current Biology”. - As respostas às breves interações sociais com machos podem ter resultados radicalmente diferentes, indo da receptividade à agressão e neste estudo investigamos a questão de quais são as bases neurais por trás destes comportamentos opostos.

Para isso, os pesquisadores se focaram no funcionamento do hipotálamo, região do cérebro que regula muitos comportamentos instintivos, como se alimentar, dormir e acasalar. Eles registraram a atividade dos neurônios na área do hipotálamo relacionada ao comportamento sociossexual ao longo do ciclo estral das fêmeas de camundongos durante encontros tanto com machos quanto com outras fêmeas, descobrindo que ela muda dramaticamente dependendo da fase do período reprodutivo em que elas estão.

- Quando a fêmea não estava em um estado receptivo, a atividade dos neurônios foi similar nos encontros sociais com machos e outras fêmeas – conta Kensaku Nomoto, integrante da equipe do laboratório de Susana e coautor do estudo. - Mas, quando a fêmea estava num estado receptivo, a atividade dos neurônios aumentou apenas quando elas interagiam com os machos.

Segundo Susana, está a primeira vez que a atividade destes neurônios foi registrada durante todo o ciclo reprodutivo natural de fêmeas, evidenciando seus efeitos na fisiologia do cérebro.
- Estabelecemos que de fato há uma região do cérebro onde o estado hormonal a interação social são integrados – diz. - Em humanos, os efeitos destes estados hormonais na atração ou rejeição ainda são bem controversos, mas estudos como este podem ajudar a jogar luz nos circuitos cerebrais que mediam estes comportamentos.


O Globo

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