Pesquisadores criam sensor que diagnostica dengue antes dos primeiros sintomas

Os sintomas da dengue só começam a se manifestar no organismo humano cerca de seis dias depois da infecção pelo mosquitoAedes aegypti. Técnicas mais simples como a identificação de anticorpos específicos no sangue do paciente são as mais usadas para diagnosticar a doença, mas só funcionam depois deste período. As mais sofisticadas são também mais caras e exigem profissionais treinados.

Com a intenção de encontrar um meio alternativo para o diagnóstico, menos complexo e mais eficiente, pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), da USP, firmaram uma parceria com a empresa DNApta Biotecnologia e criaram um biossensor capaz de detectar o vírus em apenas dois dias após o contágio.
“O biossensor é capaz de diagnosticar dengue com maior rapidez, facilidade e menor custo do que os testes laboratoriais existentes hoje”
Nirton Vieira, pesquisador
O novo método identifica eletricamente em amostras sanguíneas infectadas a proteína NS1, expelida pelos quatro tipos de dengue e localizável tanto em pessoas que contraíram a doença pela primeira vez quanto nos casos de reincidência.  “O biossensor é capaz de diagnosticar dengue com maior rapidez, facilidade e menor custo do que os testes laboratoriais existentes hoje”, afirmou Nirton Vieira, um dos autores do projeto, à Agência FAPESP.
A técnica engenhosa utiliza dois eletrodos, sendo que em um deles é disposta uma amostra de imunoglobulina Y (IgY), anticorpo que combate a NS1. Se a proteína estiver presente no sangue, a ligação entre ela e o anticorpo produz um sinal que altera o potencial elétrico do eletrodo – um software interpreta este sinal elétrico e é assim que o diagnóstico é realizado, em no máximo meia hora. O resultado inclusive pode ser acessado em tempo real pelo celular ou notebook.
Amostra de anticorpo é colocada em um eletrodo de ouro em escala nanométrica (Foto: Divulgação)
O curioso foi a forma através da qual os cientistas da DNApta Biotecnologia conseguiram obter uma grande fonte de imunoglobulina Y: em um primeiro momento eles sintetizaram artificialmente a proteína NS1 em bactérias E. coli, e depois introduziram em galinhas poedeiras. A imunoglobulina IgY pôde, então, ser coletada em enormes quantidades nas gemas dos ovos dos animais. “A vantagem é que a imunoglobulina IgY obtida de gema de ovo é muito barata em comparação com outros anticorpos. Por isso, o dispositivo poderia ser produzido em larga escala”, conta Vieira.
A meta da empresa é produzir dispositivos portáteis de detecção do vírus semelhantes aos medidores de glicemia utilizados pelos diabéticos. Estes sensores seriam acoplados a aparelhos móveis como smartphones ou notebooks e transmitiriam em tempo real as informações a uma central, proporcionando um monitoramento sem precedentes da dengue. “Pretendemos estender essa ideia para detectar outras doenças”, afirma Sérgio Moraes Aoki, diretor científico da DNApta. Os pesquisadores devem nos próximos meses realizar testes em amostras de sangue de pessoas infectadas.
Para informações mais detalhadas sobre o biossensor, consulte o artigo publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

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