Amor em lambidas: cães invadem hospital público de SP e alegram crianças internadas

A rotina pesada de internação do Hospital Infantil Darcy Vargas, em São Paulo, é quebrada toda quarta-feira com a visita de cachorros. Uma Ong recruta os animais e alegra a vida de crianças que passam por esse momento delicado. 


O menino David passa há cinco anos por tratamento médico. Aos 10 anos começaram os vômitos e vieram as primeiras internações. Ele viajou do Rio de Janeiro para São Paulo com a família para investigar o que tem no hospital de São Paulo. Aos 15 anos, não consegue frequentar a escola e o máximo que passa em casa são dois dias. Ninguém descobre o que a doença. O golden Namour precisou ser colocado na cama para que David o abraçasse. Ele costuma dizer que os dois são os melhores amigos.

A ONG Patas Therapeutas visita o hospital com os cães há dois anos. Qualquer pessoa pode participar, desde que o animal seja avaliado e passe por um treinamento. Ele precisa ser dócil e o dono ter a disponibilidade de acompanhá-lo durante as visitas. 

A psicóloga Cynthia Wolle diz que o contato com os cães são de grande importância durante a fase de internação. As crianças quebram a rotina de medicação, do clima de hospital e melhoram o humor. 

— Os pacientes daqui têm doenças crônicas e acabam ficando muito tempo internados. O contato com os cães traz uma sensação de bem-estar e a criança acaba aceitando melhor o tratamento.

Julie e Chica, as duas vira-latas da foto foram resgatadas da rua por Mônica Mallart, e integradas ao projeto. Na foto, elas são guiadas pelo Lucas. Ele é boliviano e está em São Paulo aguardando um transplante de rim.

Lucas apresenta as cachorrinhas para Julia, de apenas um ano, que está internada com pneumonia. Ela passou o aniversário no hospital .Maria Eduarda é de Cuiabá (MT) e viajou para São Paulo para investigar o que tem. Acompanhada da mãe, ela recebe o carinho dos animais. Ana Clara pergunta todo dia para a mãe 'hoje tem au au?'. Assim como o David, o Namour é o preferido.

O pai da pequena Raissa, Wagner Ferreira, avalia que é muito importante para a filha o contato com os cachorros. Vítima de uma doença crônica que exige longos períodos de internação, ele conta que o momento é aguardado com ansiedade pela menina. 
— A gente vive aqui no hospital. Então é um grande acontecimento ela ver os cachorrinhos. Melhora o dia.

As crianças do isolamento ou com doença transmissível são as únicas que não podem receber visita.Mônica Mallart (de branco), da Ong Patas Therapeutas, e a psicóloga Cynthia Wolle. Além do hospital, a visita dos animais é feita em asilos e orfanatos. Mônica largou a carreira de administradora para se dedicar ao trabalho voluntário.

Mônica idealizou e conseguiu apoio de grafiteiros para criar este jardim dentro do hospital. Ela notou o espaço vago e a necessidade de um ambiente tranquilo dentro unidade. As crianças são levadas para banhos de sol e também os pais utilizam durante as longas esperas. 


R7

Postagens mais visitadas