Comer bem pode ser um novo distúrbio alimentar

Comer fast food todos os dias pode te fazer mal. Ser preocupado excessivamente com a alimentação saudável também. A ortorexia nervosa é o distúrbio alimentar que atinge pessoas que comem bem de forma obssesiva - na etimologia da palavra podemos notar seu tom: ‘orto’ vem do grego correto, reto. O termo existe desde 1997, e foi cunhado pelo médico americano Steven Bratman.

Os modismos alimentares modernos levantam a bandeira da geração saúde - alimentos crus, veganismo, ôrganicos -, mas saiba que se tornar obsessivo pode trazer complicações.
Alimentos crus, por exemplo, nunca são aquecidos acima de 44 ºC, de modo que todas as enzimas que vivem lá permanecem intactas. A remoção do glúten, laticínios, e até mesmo a carne de sua dieta alimentar pode causar um desequilíbrio quando feitas de forma irresponsável.
  (Foto: Tumblr/Reprodução)
Quantas pessoas sofrem de ortorexia?
Vale lembrar que alimentação saudável não significa ortorexia nervosa. Existe uma linha que separa os dois termos. Quando o ato de comer bem deixa de ser um hábito, e vira uma obsessão aí que mora o problema. Tais comportamentos podem ter um impacto significativo sobre as relações com família e amigos, e muito menos sobre a saúde mental. Ortorexia leva alguns elementos de TOC (transtorno obsessivo compulsivo) consigo.

A ortorexia nervosa não é um transtorno alimentar reconhecido clinicamente, mas pesquisadores desenvolveram questionários em várias populações para ter uma idéia da abrangência do mal.
Pesquisadores italianos desenvolveram o questionário ORTO-15, em 2005. Quem tirou menos de 40 foi considerado com ortorexia nervosa. Quem tirou mais de 40 também pode sofrer de personalidades obsessivas ou fóbicas. Entre as perguntas estão: "você se preocupa com o que vai comer por mais de três horas por dia?" E "você se sente culpado quando quebra suas regras alimentares saudáveis?" (Respondeu sim para as duas? Cuidado!)
Usando a nota de corte de 40, outro grupo de pesquisadores italianos relatou uma prevalência de ortorexia nervosa de 57% na população italiana, com uma relação de duas mulheres para cada um homem. No entanto, usando um valor de corte de 35, a prevalência foi reduzida para 21%. A maioria dos estudos têm sido realizados em sub-grupos populacionais, e não com uma grande parcela da população.
Novamente usando o teste ORTO-15 e um valor de corte de 40 anos, a prevalência de ortorexia nervosa na Turquia foi de 45%. Em artistas performáticos turcos, foi de 56% (variando de uma prevalência de 81% em cantores de ópera e de 32% em bailarinos) e em professores de ioga ashtanga, na Espanha de 86%.
Você pode testar suas próprias tendências para a ortorexia nervosa usando este Teste Bratman (em inglês).
É um transtorno mental?
A ortorexia nervosa não está listada nos relatórios da American Psychiatric Association and Statistical Manual (DSM-5), que os psicólogos e psiquiatras usam para diagnosticar transtornos mentais. Atualmente, o DSM-5 lista como transtornos mentais a anorexia nervosa, bulimia nervosa e o transtorno da compulsão alimentar periódic
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"A última vez que eu comi salada foi nunca" (Foto: Tumblr/Reprodução)
Alguns médicos defendem que a ortorexia nervosa deva ser reconhecida como um transtorno mental, e propuseram critérios diagnósticos clínicos ao DSM-5. Eles observam comportamentos patológicos distintos, incluindo uma motivação para sentimentos de perfeição ou pureza, em vez de perda de peso, como acontece na anorexia e bulimia.
Pesquisas sobre a ortorexia ainda são recentes e escassas. Muitos estudos ainda precisam ser feitos para saber ao certo como diagnosticar esse transtorno. Por hora, o certo a se fazer é parar de ser tão neuróticx com alimentos saudáveis e dividir uma pizza (e sorrisos) com os amigos.
Galileu

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