Lobos são ótimos pais adotivos, aponta estudo

Mas a fama desses animais é um tanto injusta: eles têm um lado mais gentil e sociável, e, por isso, estão sendo o foco de uma nova iniciativa para salvar a espécie.

Ao estudarem mais a fundo o comportamento dos últimos lobos existentes na Europa, cientistas da Universidade de Linkoping, na Suécia, descobriram que essas criaturas têm uma propensão a se ajudarem mutuamente.
Os pesquisadores deram filhotes para lobas com as quais não tinham parentesco algum e observaram que as fêmeas não só cuidavam deles como também os aceitavam como parte da família.
O estudo, publicado na revista Zoo Biology, sugere que lobas são ótimas mães adotivas e, se forem apresentadas com filhotes nascidos em cativeiros, podem ajudar a aumentar o número de espécimes atualmente vivendo na natureza.

Geneticamente fracos

Lobos estão em vias de extinção na maior parte da Europa
O lobo-cinzento (Canis lupus) já foi o mamífero com a maior distribuição do planeta. Mas ele foi extinto na maior parte da Europa Ocidental e em áreas dos Estados Unidos como resultado da destruição de seu habitat e da caça deliberada provocada pela suspeita de que se trata de um predador de suínos, caprinos e ovinos.
O medo e a aversão a lobos se infiltraram na cultura ocidental, alimentados por mitos e fábulas.
Na Escandinávia, a subespécie europeia do lobo-cinzento está em vias de extinção, e só restam apenas cinco animais ainda vivos.
Os lobos europeus se reproduzem apenas entre seus próprios familiares, com pouca variabilidade genética, tornando-os mais vulneráveis a ameaças como surtos de doenças, já que não se adaptam tão rapidamente a mudanças ambientais.

'Programa de adoção'

Filhotes transferidos a mães adotivas apresentaram uma alta taxa de sobrevivência
Os cientistas suecos Inger Scharis e Mats Amundin foram os primeiros a elaborar essa espécie de "programa de adoção" de lobos na Europa.
Eles atuaram com lobos mantidos em sete zoológicos da Escandinávia. Ao todo, oito filhotes foram retirados de seus pais naturais e levados a famílias completamente diferentes em outros zoológicos. Outros 35 filhotes nascidos durante o programa permaneceram com suas mães biológicas.
Os filhotes foram removidos com quatro a seis dias de vida para garantir que fossem alimentados com o colostro, o primeiro leite da mãe.
A experiência mostrou que as mães adotivas não só aceitaram os novos filhotes colocados em seu grupo como também se mudaram com a ninhada para outra parte da jaula, em uma tentativa de protegê-los melhor.
A saúde dos bebês e o comportamento dos adultos foram monitorados por um sistema de circuito interno de TV. Os cientistas observaram que os filhotes "trocados" cresceram no mesmo ritmo que os irmãos adotivos e que seus irmãos biológicos.
Além disso, os bebês adotivos tiveram uma taxa de sobrevivência melhor do que seus irmãos biológicos que permaneceram com os pais naturais, com 73% sobrevivendo até 33 semanas. Essa taxa de sobrevivência é a mesma observada na natureza.
Cientistas acreditam que as lobas são capazes de reconhecer sua própria cria, mas segundo o estudo, isso só ocorre quando os filhotes têm entre três e sete semanas de vida.
Isso abre uma oportunidade para que a adoção funcione.
Se filhotes nascidos em cativeiro puderem ser levados a famílias vivendo na natureza e que acabaram de ter seus próprios filhotes, eles têm mais chance de sobreviver. Outra vantagem é que eles também ajudam a aumentar dramaticamente a diversidade da população selvagem, segundo os pesquisadores.
A chegada dos filhotes adotivos pode ajudar a preservar o futuro de um dos animais mais icônicos e polêmicos da natureza.

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