Mesma caixa é rotulada para carregar vacina e urina a hospital

Uma caixa etiquetada para transportar amostras de urina usadas em exames, e ao mesmo tempo identificada para carregar vacinas, foi flagrada pelo G1 no Complexo Hospitalar Ouro Verde, em Campinas (SP), nesta terça-feira (7). No momento do registro, funcionários retiravam os materiais recolhidos em centros de saúde de um veículo para levar ao Laboratório de Patologia Clínica, que funciona dentro da unidade médica. A prefeitura informou que vai apurar a denúncia.

Um diretor do Sindicato dos Trabalhadores Serviço Público Municipal Campinas (STMC) estava no local e denunciou o risco de contaminação, porque, de dois motoristas responsáveis pelo transporte, um deles estava sem luvas de proteção e jaleco, e vestia uma bermuda. A reportagem também encontrou caixas etiquetadas exclusivamente para vacinas, próximas de outras com identificação para fezes, urina ou sangue. Além disso, a parte interna do automóvel usado no serviço estava suja de terra.

Aviso em carro da Prefeitura alerta sobre risco em transporte de substância infectante (Foto: Fernando Pacífico / G1 Campinas)
Aviso alerta sobre risco em transporte de amostras
infectantes (Foto: Fernando Pacífico / G1)
'Negligência criminosa'
"É um transporte feito de forma crônica, antigo. Os carros também são mal adaptados e não há higienização de forma correta", criticou o diretor do sindicato Afonso Basílio Júnior. Para ele, mesmo que não houvesse doses de medicamentos no carro, juntamente com amostras de fezes e urina, há irresponsabilidade no possível reaproveitamento das caixas pelo município. "É uma negligência criminosa. Além disso, motorista não deveria fazer essa função, é preciso um funcionário orientado", criticou.

Na avaliação de Basílio Júnior, o percurso usado para levar as amostrar até o laboratório também coloca em risco os pacientes do Ouro Verde - porque é necessário passar por uma sala de espera antes de chegar ao ponto de entrega dos materiais.

"Eles passam diante de recepção, próximos de salas onde são feitas vacinas, e esse material está contaminado", citou. Sem mencionar prazo, o sindicalista disse que irá encaminhar denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Ao município vamos passar um informe, porque deveriam saber o que está acontecendo aqui. Isso é regulamentado e precisa ser cumprido", disse.

Com a paralisação, espera passava de três horas, segundo pacientes (Foto: Fernando Pacífico/ G1)
Com a paralisação, espera passava de três horas,
segundo pacientes (Foto: Fernando Pacífico / G1)
Prefeitura responde
Em nota, a Prefeitura garantiu que não havia vacinas nas caixas transportadas nesta terça-feira, apenas amostras biológicas. "A Secretaria de Saúde informa que está apurando a denúncia e vai adotar as devidas providências, de forma que todas as etapas do processo de transporte deste tipo de substância sejam atendidas conforme regulamentação", diz o texto.

Além disso, a administração municipal informou que vai reorientar os servidores em relação ao uso de vestimenta adequada e de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). "O transporte de vacinas é feito em dias diferentes, com fluxo diferenciado, saindo direto do almoxarifado, com critérios de medição de temperatura, em caixas e veículos exclusivos. Este transporte é sempre acompanhado por um profissional de enfermagem", completou a Secretaria de Saúde.

Etiquetas de caixas indicam transporte de vacinas e fezes, em Campinas (Foto: Fernando Pacífico / G1 Campinas)Etiquetas de caixas indicam transporte de vacinas e fezes, em Campinas  (Foto: Fernando Pacífico / G1)
G1

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