Alimentar aves silvestres nas cidades prejudica espécies nativas, diz estudo

Alimentar aves silvestres em centros urbanos, um hábito muito comum em todo o mundo, pode perturbar o frágil equilíbrio existente entre as espécies nativas e as invasoras, como as pombas, revelou um estudo publicado nesta segunda-feira (4).

A prática pode provocar a desnutrição de alguns pássaros, alterar a biodiversidade e contribuir para a transmissão de doenças aviárias, segundo pesquisa realizada durante 18 meses em 23 jardins residenciais em Auckland, Nova Zelândia.
Os cientistas concluíram que alimentar as aves afeta as espécies que são comuns nos jardins e que são insetívoras e frugívoras. Ao contrário, favorece as espécies não autóctones (não nativas) e que são onívoras.Durante um ano e meio, em quase a metade destas residências, os proprietários distribuíram diariamente em seus jardins pedaços de pão e grãos, que é o alimento normalmente oferecido às aves. A outra metade não lhes deu nada.
Assim, nos jardins onde foi oferecido alimento, havia 2,4 vezes mais pardais e 3,6 vezes mais pombas do que espécies nativas, afirmaram os pesquisadores no estudo, publicado na Academia Americana de Ciências (PNAS).
Doenças
Os ornitólogos destacaram em particular a diminuição de mais de 50% das felosas-das-figueiras (Sylvia borin) nos locais onde foi colocado alimento, em comparação com aqueles onde os proprietários não alimentaram as aves.

A presença deste alimento exógeno pode ter outras consequências, como o aumento da concorrência entre espécies nativas e invasoras para fazer seus ninhos. Além disso, a concentração de pássaros em locais onde o alimento é abundante aumenta o risco de doenças aviárias.
"Os resultados do estudo na Nova Zelândia são um passo importante para entender o impacto desta prática de alimentar aves silvestres e mostra a necessidade de se fazer estudos de longo prazo", escreveram os ornitólogos.
Da France Presse

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