Aparelho reduz número de animais mortos em testes

Um equipamento que ajuda a reduzir em 70% o número de animais sacrificados em pesquisas laboratoriais de medicamentos contra o câncer foi entregue ao Hospital das Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP). O aparelho tem custo de R$ 3,6 milhões e foi financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).


De acordo com o pesquisador farmacêutico Gilberto Framchi, no teste convencional, a substância em teste é aplicada à célula cancerígena cultivada in vitro. As células em que o medicamento teve mais eficiência são injetadas em camundongos com tumores induzidos, que posteriormente são analisados para observar os resultados dos testes.
Equipamento entregue à Unicamp egra imagens tridimensionais (Foto: Reprodução/EPTV)
Equipamento entregue à Unicamp gera imagens 
3D de animais testados (Foto: Reprodução/EPTV)
Imagens 3D
Com o novo equipamento, os pesquisadores deixarão de realizar a análise manualmente e passarão a analisar as três imagens tridimensionais que o aparelho produz. Essas imagens mostram as estruturas anatômicas e fisionômicas dos animais e evita que eles sejam sacrificados após o procedimento.


Segundo o pesquisador Sérgio Brunetto, o procedimento não oferece risco aos animais. "Ele é anestesiado pelas vias aéreas, nem injeção ele recebe. As imagens são feitas, analisadas matematicamente e os pesquisadores vão obtendo os resultados", explica. A substância injetada para a visualização das estruturas é o FDG, um tipo de glicose.


De acordo com especialistas, atulmente o estudo de medicamentos de combate ao câncer demora três meses e com o teste realizado pelo aparelho o período é reduzido para 30 dias.


"Claro que o objetivo é zero animal, mas já é um avanço significativo", diz Flávio Lamas, presidente da Associação Amigos dos Animais. Segundo ele, metade dos institutos de pesquisa não são cadastrados no Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea).
Ainda segundo Lamas, se uma pesquisa não for apresentada e aprovada pelo conselho, ela pode perder o valor científico no futuro.

G1


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