Cabras transgênicas são esperança para produção de fármacos

Desde 2000, pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (Uece) trabalham na criação de cabras transgênicas. O experimento, encabeçado pelo professor Vicente Figueirêdo Freitas, é a esperança de conseguir um medicamento utilizado para reforçar imunidade de forma mais rápida e barata. Uma proteína foi introduzida no genoma dos caprinos, a G-CSF, responsável por melhorar o sistema imunológico de pacientes que lutam contra o câncer.

O primeiro animal transgênico nasceu em 2006, mas foi perdido com 19 dias, após infecção. Dois anos depois, após repetir o experimento, os pesquisadores conseguiram produzir um casal. Os testes se confirmaram quando a fêmea, a cabra Camila, conseguiu secretar a proteína no leite. Foi a confirmação de uma descoberta de ponta.
“Só tomar o leite não faz efeito. É como um produto comum. A proteína deve ser purificada”, explica Vicente. Por isso, os pesquisadores necessitam de mais apoio para continuar os testes. “Empresas farmacêuticas já entraram em contato, mas nada se confirmou ou vingou”, explica. Enquanto isso, a equipe continua cuidando dos animais. Existem seis cabras nas dependências da Uece, resultado de 15 anos de pesquisas e perseverança. “Não criamos mais (cabras) na universidade por falta de espaço e de infraestrutura”.
Se a pesquisa fosse finalizada, o poder público conseguiria economizar na compra de medicamentos. Pois, conforme explica Vicente, cada caixa importada do fármaco custa em média R$ 3 mil. “No Brasil, é difícil unir academia e indústria. Em países desenvolvidos, temos praticamente a pesquisa dentro do mercado. Aqui ainda existe uma falta de sincronia entre o que é feito nas instituições de pesquisa e as ideias da indústria. O tema dessa pesquisa é apenas um dos exemplos da defasagem nessa relaçaõ”, diz. (Isabel Costa)

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