Cientistas descobrem o que faz animais pressentirem catástrofes

Cientistas descobriram o que faz animais pressentirem catástrofes, como terremotos. A partir dessa descoberta, os pesquisadores dizem que vai ser possível alertar e salvar comunidades inteiras

As imagens no vídeo são de câmeras instaladas no Parque Nacional Yanachaga Chemillen, no centro do Peru. Tamanduás, leopardos, tatus, aves, batem em retirada, assustados. Vinte dias depois, em agosto de 2011, um terremoto de sete graus na escala Richter sacudiu toda a região. O mesmo comportamento foi observado por cientistas, em 2004, no terremoto seguido de um tsunami no Oceano Índico, que matou mais de 200 mil pessoas.
O estudo também foi feito na África, com macacos, elefantes e outros outros mamíferos.
Que os animais têm essa capacidade sensorial de prever fenômenos naturais, isso já se sabia. Mas agora os cientistas encontraram uma explicação. Quando duas placas tectônicas se movem, uma contra a outra, esse fenômeno produz um gás que sai de baixo e vem para a superfície, e depois para a atmosfera.
O gás é rico em íons positivos, que são átomos carregados eletricamente. Esses íons positivos aumentam a produção de um hormônio que faz com que os animais fiquem mais agitados, hiperativos. E é por isso, segundo os cientistas, que eles abandonam aquela área, aquela região.
Foram pesquisados vários tipos de animais, desde aves até os mamíferos, e entre os mamíferos, os felinos.
Outra pesquisa, chefiada por um cientista francês radicado no Brasil, constatou que as mesmas partículas atômicas liberadas pelo gás provocam alterações nas ondas de rádio na atmosfera.
Ele conta que, 12 dias antes do terremoto que devastou o Haiti em 2010, as medições mostraram essas alterações. Mas ainda não se tinha certeza de que era por causa de um terremoto. Agora, pela primeira vez, as duas pesquisas começam a andar juntas, para que um dia seja possível prever com mais precisão a ocorrência dos abalos.
“Precisa se reproduzir essa pesquisa em outros lugares também. A grande ideia é ter um futuro, eu diria, a médio prazo, uma previsão de umas duas semanas para prever esses fenômenos catastróficos”, diz o físico da Universidade Mackenzie, Jean-Pierre Raulin.
Jornal Nacional

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