Fiocruz desenvolve 'armadilha' de larvicida para matar mosquitos da dengue

Uma nova estratégia de combate à dengue está sendo testada no Amazonas. O método proposto pela da Fiocruz é simples, mas já apresentou bons resultados no bairro Tancredo Neves, de Manaus, com alta incidência da doença. Agora está sendo aplicado na cidade de Manacapuru, com cerca de 92 mil habitantes, e os testes iniciais também são animadores.
A expectativa é que o projeto possa ser replicado em escala nacional em municípios pequenos.

No experimento que começou em 2009, os pesquisadores instalaram armadilhas para os mosquitos Aedes aegypti Aedes albopictus, vetores da dengue, numa área de cerca de 50 hectares. São baldes d’água — criadouros —, com o larvicida pyriproxyfen, que impede que as larvas cheguem à fase adulta, mas não atinge os insetos maduros. As paredes internas dos baldes são recobertas com um pano preto, que também contém o produto. O mosquito deposita ali seus ovos (que acabam morrendo). E, quando faz isso, partículas do larvicida grudam em suas patas. Como esses insetos desovam em diferentes criadouros, eles próprios disseminam o produto para outras áreas.

MORTALIDADE DE 94%
Nas análises da pesquisa, foram encontrados sinais de pyriproxyfen em locais de acúmulo d’água a até 400 metros das armadilhas originais. Além disso, a mortalidade do mosquito jovem aumentou em dez vezes após o início da aplicação do inseticida, chegando a 94% naquele bairro.

— A grande vantagem desta técnica, além de ser bem simples, é que o inseticida chega em locais inacessíveis ou desconhecidos por moradores e agentes de saúde — explica Sérgio Luz, diretor da Fiocruz Amazonas e um dos autores do estudo publicado na revista científica “PLoS Neglected Tropical Diseases”.


Segundo o pesquisador, outro ganho da técnica é que o larvicida não faz mal à saúde humana, por isso ele pode ser colocado em caixas d’água e outros recipientes que geralmente são potenciais criadouros.

Já a experiência de Manacapuru começou há 1,5 ano, e os resultados consolidados saem em julho. Enquanto isto, o pesquisador anima-se com os dados do Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes Aegypti (Lira) do município. Antes do trabalho, ele era de 3,9% (alerta), e recentemente caiu para 0,3% (satisfatório).

— Acreditamos que isto é consequência das armadilhas — comemora Luz, explicando isto poderia agregar a outras estratégias de combate à doença. — Talvez em grandes centros urbanos, onde as causas da infecção são mais complexas, ela não funciona tão bem. Mas seria uma ótima ferramenta para bairros e municípios pequenos, especialmente aqueles isolados por rios, comuns na Amazônia, onde a chegada de agentes de saúde é dificultada.




O globo

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