Pesquisa acha bactérias em 58% dos sorvetes

Uma pesquisa da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) que analisou amostras de sorvetes vendidos em máquinas no Oeste catarinense apontou a presença de micro-organismos em níveis acima do permitido em 58% dos sorvetes analisados. Foram coletadas amostras em seis pontos de venda de apenas uma cidade.


A pesquisa surgiu como um trabalho de conclusão de curso da aluna Aline Kracik, orientada pela professora Liziane Schitller, do curso de Engenharia de Alimentos do campus de Pinhalzinho, mas acabou se tornando um projeto maior: até o final deste ano, o objetivo é analisar amostras de 20 pontos de venda em cinco cidades da região.

De acordo com a professora, não é possível divulgar as cidades envolvidas na pesquisa para não influenciar nos resultados dos testes, que são feitos duas vezes em cada amostra.

Até o momento, foram avaliados quatro pontos de venda e 75% dos sorvetes analisados estão em desacordo com a legislação.

“Os resultados estão se repetindo. Encontramos amostras com micro-organismos como salmonela e estafilococus, além de coliformes fecais. Também isolamos uma bactéria chamada Listeria monocytogene. Ela provoca meningite e pode causar aborto no terceiro trimestre de gestação”, explica a coordenadora da pesquisa, que envolve outros dois professores e duas alunas.

Proliferação de bactérias
A professora explica que, ao contrário do que muitos pensam, as baixas temperaturas não eliminam as bactérias – apenas mantêm o metabolismo delas inativo. “A bactéria Listeria adora o frio e inclusive se multiplica em baixas temperaturas”.

Segundo Liziane, as máquinas de sorvete expresso exigem um cuidado maior de quem manipula os alimentos. “Normalmente ficam em locais com grande circulação de pessoas. Alguns pontos sequer apresentam torneiras para que o funcionário lave as mãos depois de manipular o dinheiro”, explica.

Outro fator é o fato de os sorvetes, em alguns casos, serem produzidos à base de leite cru e não pasteurizado, como exige a legislação. “Acredito que muitos trabalhem na ilegalidade”, diz a professora.

Projeto de extensão
“Nossa ideia é ver quais são as condições em que são vendidos esses sorvetes e repassar os dados para a Vigilância Sanitária de cada cidade”, afirma a professora. Ela planeja até em desenvolver um projeto de extensão que permita qualificar esses produtores.

O projeto conta com a colaboração da professora Andréia Zilio Dinon, também da Udesc, e do professor Wladimir Padilha da Silva, da Universidade Federal de Pelotas. Participam ainda, as alunas Rafaeli Treviso e Miriam Enderle.

G1

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