Um novo mundo animal é possível

A resistência à realização de testes de laboratórios industriais e acadêmicos em animais é cada vez maior. Impulsionada pela opinião pública e facilitada pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia toxicológica, existem hoje alternativas à vivissecção, como as simulações em computador (testes in silico) e ensaios in vitro.


– Evento promovido pela Fapesp, em 31 de março deste ano, “Challenges and perspectives in research on alternatives to animal testing”, revelou que os próprios pesquisadores consideram importante desenvolver alternativas para os testes em animais, não só por motivos éticos, mas também científicos, pois as experiências não são eficazes o bastante, diante das peculiaridades das diferentes espécies.



– Uma revolução está em curso nos testes in vitro, com a possibilidade de produção de tecidos e órgãos para a aplicação de substâncias tóxicas, nas células dos próprios pacientes. Nos testes in silico, ocorre o acesso a bases de dados de substâncias já testadas, comparando-se com a toxidade de novas drogas.



– Com isso, modificações significativas já são vistas na atividade empresarial, como a proibição de comercialização de cosméticos que tenham ingredientes testados em animais na União Européia, desde 2003. No Brasil, em 2014, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu o aceite a 17 métodos alternativos ao uso de animais, a pedido do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea). Até 2018, laboratórios em operação no Brasil terão que adotar os novos métodos aprovados pela Anvisa, que medem a irritação e corrosão da pele e dos olhos e absorção cutânea, atualmente realizados em animais.



Nestlé



Desde 2014, a Nestlé adota a política de bem estar animal. Trata-se de um ajuste entre a empresa e organizações do terceiro setor, com vistas a melhorar a qualidade de vida dos animais na indústria alimentar, com impactos diretos na sua cadeia de mais de 7 mil fornecedores. Como muitos deles fornecem para outras empresas concorrentes da Nestlé, elas também serão afetadas.



A ação de grupos protetores de animais e as novas mídias sociais influenciaram na decisão da empresa, que atende, com a nova política, a demanda de clientes representados por redes de restaurantes e empresas de alimentação e que, através do contato direto do consumidor, são pressionadas por ele, sobre as condições de componentes dos seus produtos.



A política inclui a recusa de aquisição de produtos obtidos de porcos criados em baias de gestação, ovos de galinhas engaioladas, gado descornado, com caudas cortadas sem anestesia e animais que ingeriram drogas aceleradoras do crescimento. Os fornecedores serão monitorados por empresas especializadas, por sua vez fiscalizadas pelas ONGs World Animal Protection, Humane Society of United States e Mercy for Animals.



A política inclui ainda o engajamento na campanha Segunda sem Carne, que tem por objetivo estimular as pessoas a se absterem da ingestão de carne, ao menos um dia por semana, contribuindo assim para a qualidade ambiental.



Burger King



A Burger King anunciou que, até o final deste ano, todos os ovos que utiliza virão de galinhas criadas fora de gaiolas. Os suínos por sua vez só serão utilizados se os produtores documentarem a criação fora de baias de gestação. Projetos parecidos já foram anunciados por McDonald’s, General Mills e Quinoz, variando os prazos oferecidos aos fornecedores, para adaptação.



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