Apesar de proibida, venda de chumbinho segue livre. E matando

Agrotóxico normalmente utilizado para matar ratos, o chumbinho é uma substância de venda proibida no Brasil. Ainda assim, não é difícil encontrá-la nas feiras livres de todo o país. Em Salvador o cenário é o mesmo.
Comprar o produto é fácil, visto que ambulantes das feiras livres comercializam o produto sem grandes preocupações com a fiscalização.
Ao passar por alguns redutos de ambulantes, como é o caso da Feira de São Joaquim, pode-se encontrar quem esteja vendendo frasquinhos com a substância, sem muitos obstáculos. Os preços variam de R$ 3 a R$ 5, sempre em recipientes pequenos, onde também é fácil esconder, no caso de alguma fiscalização imprevista.
 Na Rua do Paraíso, na região central da cidade, é possível achá-los, assim como também na Feira das Sete Portas. Os comerciantes se caracterizam pela discrição. Não estão com o produto a mostra, nem anunciam a alto e bom som, porém, caminhar pelos locais e ser abordado por um deles, é corriqueiro para o pedestre da região central da cidade.
MORTES 
De acordo com dados da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), nos anos de 2014 e 2015 foram registrados 267 óbitos por intoxicação com raticidas e pesticidas, das quais 30 ocorreram na capital. Nos hospitais do estado, se calculam que a cada dez mortes por envenenamento, nove são provocadas pelo chumbinho.

O levantamento aponta também que, em 2014, foram registradas 64 internações por intoxicação por raticidas e pesticidas, das quais 3 ocorreram na capital baiana. A secretaria não foi registrou nenhuma internação deste tipo, até o momento, este ano. 
Segundo o diretor do Centro Anti-Veneno da Sesab, Daniel Rebouças, o produto comercializado atualmente é um chumbinho falsificado, tendo propriedades diferentes, sendo cardomatos e fosforados com composição diferente, podendo ser mais ou menos letal que o chumbinho. Além disso, 99% das internações são causadas por essas substâncias fora do padrão do raticida. 
Em novembro do ano passado, uma professora do Educandário Santana Amorim, no bairro de Mata Escura, ficou intoxicada após comer um biscoito recheado com um componente granulado do raticida. A educadora precisou ser socorrida às pressas para a Unidade de Pronto Atendimento do Hospital Roberto Santos. 
Anvisa suspende a fabricação
O chumbinho é um raticida que era utilizado principalmente como agrotóxico, antes de começar a circular no comércio clandestino. Desde 2012, a fabricação da substância foi suspensa pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), e a utilização é autorizada apenas em casos veterinários. 
Os sintomas da intoxicação são percebidos em menos de uma hora após a ingestão, após absorvido pelo organismo. O indivíduo começa a apresentar um quadro de náuseas, vômitos, diarréias, salivação excessiva, sudorese, visão borrada, contração da pupila, dor abdominal, tremores e taquicardia. 
POSSIBILIDADES
A substância passou a ser utilizada como raticida, após se verificar o nível de sua letalidade contra os roedores. Contudo, por ser altamente tóxico aos animais, seu comércio foi proibido. Apesar de agir rapidamente, Rebouças alerta que o chumbinho é um péssimo inseticida na forma como é utilizado. 

Segundo o diretor do Centro Anti-Veneno, ao notar que um membro de sua colônia foi morto rapidamente, os roedores são levados a procriar-se com mais rapidez, e se expandem para outros locais, provocando justamente o efeito contrário ao objetivo real do seu uso. 

Para livrar o ambiente dos roedores, há outros produtos de raticidas conhecidos como anticoagulantes, e que são comercializados legalmente, possuindo um efeito mais eficiente. A isca peletizada age ao ser colocada por um período diário, no qual o veneno age lentamente no organismo do roedor. 

“Quando os ratos começam a morrer, toda a colônia já consumiu o produto, levando a colônia a diminuir com o passar dos dias, e sem que eles se proliferem”. Outro anti-coagulante é a isca parassinada, que funciona de forma semelhante, porém, esta vêm um formato de um tablete. Além da eficiência, as duas iscas têm um nível de toxicidade infinitamente menor que o chumbinho não representando risco para o ser humano, mas sendo altamente perigoso para os roedores. 
Tribuna da Bahia

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