Arara morre após passar por cirurgia inédita de amputação de pata

Uma arara com idade estimada entre 15 a 20 anos passou por cirurgia com metodologia inédita na Universidade Federal de Passo Fundo (UPF), no Norte do Rio Grande do Sul, na tarde de quarta-feira (10), mas acabou não resistindo durante a recuperação e morreu na madrugada desta quinta (11), informou o Hospital Veterinário da instituição. Ela tinha um problema em uma das patas e, após amputação, receberia uma prótese.

A cirurgia foi realizada com sucesso, segundo o hospital. A ave era do zoológico da UPF, e apresentou uma degeneração óssea que comprometeu as funções da pata direita. Há alguns meses, os profissionais do local perceberam que havia algo errado com a arara e resolveram investigar. Ela foi tratada com medicamentos, que não surtiram efeitos.
Para conseguir se alimentar e se locomover, a arara forçava muito o membro sadio, além do bico, para conseguir se sustentar, conforme as informações do hospital.
A equipe que realizou a cirurgia para a amputação foi coordenada pela professora da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAMV) Michelli de Ataide, que também coordena o Grupo de Estudos de Animais Silvestres (Geas) da UPF. Durante o procedimento, que durou pouco mais de uma hora, a ave foi sedada.
Prótese produzida não chegou a ser colocada
Após a recuperação, a arara receberia a prótese para voltar a andar normalmente. Foi confeccionada uma haste metálica, e nela foi fixada a prótese de carbono, material escolhido por ser mais leve e resistente. O trabalho foi realizado em conjunto pelo fisioterapeuta especialista em próteses e professor do curso de Fisioterapia da UPF, Luiz Otávio Gama, e pelo ortopedista do Hospital Ortopédico de Passo Fundo Fábio Lhamby.
Cirurgia foi realizada com sucesso, mas ave acabou não resistindo (Foto: Gelsoli Casagrande/UPF)Cirurgia foi realizada com sucesso, mas ave acabou não resistindo (Foto: Gelsoli Casagrande/UPF)
A recuperação e a morte da arara
Depois da cirurgia, realizada com sucesso, conforme avaliação da universidade, a ave não resistiu durante a recuperação e morreu. A notícia gerou comoção na UPF, que emitiu uma nota à imprensa.
As causas da morte ainda são investigadas. A ave entrou em coma durante a madrugada desta quinta (11) e teve uma parada cardíaca.
Confira abaixo a nota da UPF:
"A cirurgia da arara foi considerada um sucesso. Com a fixação da haste medular perfeita e sem nenhuma intercorrência anestésica no pré, trans e pós-operatório imediato. Porém, algumas horas após a recuperação anestésica a ave acabou entrando num quadro de depressão neurológica e os reflexos e respostas ao ambiente começaram a ficar deficitários.

O animal foi mantido por algumas horas em ventilação assistida e com monitoramento constante pela equipe responsável do caso. Porém na madrugada do dia 11 de junho a arara acabou entrando num quadro de coma e não respondeu a nenhum fármaco ou procedimento empregado para reverter. Foi decretado o óbito após uma parada cardíaca sem sucesso de ressuscitação, mesmo com os artifícios utilizados.

A equipe do Hospital Veterinário, juntamente com os parceiros na inovação, sentem muito pela perda, não só pelo advento mas, principalmente, pela vida do pscitacídeo.

A(s) causa(s) do óbito estão sendo investigadas."
G1

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