Queijo adulterado no RS é recolhido do mercado pela Vigilância Sanitária

O queijo fabricado pela Laticínios Progresso, de Três de Maio, no Noroeste do Rio Grande do Sul, começou a ser retirado nesta quarta-feira (17) do mercado. A empresa foi interditada pelo Ministério Público (MP) na terça-feira (16) por adulterar o produto.

Segundo a investigação, a Laticínios Progresso recebia leite rejeitado por outras indústrias e ainda adicionava amido de milho ao queijo, que encorpava o produto, mas também diminuía a qualidade do alimento. Escutas telefônicas feitas pelo MP revelam que o queijo tinha um cheiro forte, como mostra o diálogo entre um vendedor e um comprador.
“Não, não”, responde o funcionário da empresa.“Tu já cheirou esse queijo?”, pergunta o comprador.

“Os ‘cliente’ tudo querendo devolver. Não dá ‘pra’ aguentar o fedor desse queijo. Dentro da minha câmara não dá ‘pra’ aguentar o cheiro”, diz o homem.
“Não tem como nós vender esse queijo ‘pros’ cliente”, prossegue.
“Qual? Aquele que eu levei hoje?”, pergunta o vendedor.
“É. Esse inteiro ‘tá’ azedo... ‘Fomo’ fatia ele aqui agora, ele virou num catingão brabo, que tu não tem nem como parar perto”, diz o comprador.
Por determinação da Secretaria Estadual de Saúde, todos os queijos da marca Progresso começaram a ser retirados das prateleiras. É a Vigilância Sanitária que está fazendo esse trabalho para evitar que os consumidores tenham acesso aos produtos adulterados.
“Esses queijos serão lacrados e o proprietário do estabelecimento fica como fiel depositário durante 90 dias até que haja uma nova determinação de inutilização”, explica a coordenadora da Vigilância de Novo Hamburgo, Lisa Gaspar Ávila.
Como a fabrica só tinha licença para vender os produtos em Três de Maio, mas enviou o queijo clandestinamento para o Vale do Sinos, os comerciantes que compraram o produto irregular para revender serão autuados.
“Eu compro com nota, tudo direitinho, boleto, tudo certinho. Chega aqui, descarrega aqui. Nada me explica que ali não pode chegar na mão do consumidor aqui”, diz o comerciante Valdir Peres.
Segundo o Procon, os consumidores que compraram o queijo adulterado podem pedir o dinheiro de volta.
“Ele tem que voltar no estabelecimento com a nota fiscal e solicitar a devolução do valor. Caso o comerciante se negue a cumprir esse procedimento, ele tem que procurar o Procon”, orienta o agente de fiscalização do órgão, Lucas Coletto.

G1

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