Bactérias do bom humor

Sabemos que a ideia de que as bactérias que temos no intestino afetam nossa saúde – para o bem e para o mal.

Afinal, o chamado microbioma é responsável pelo bom funcionamento da digestão e do metabolismo. Ou, se houver um desequilíbrio, pelo contrário.
Mas a extensão de sua influência vai além. Mais precisamente, até o cérebro.
Uma pesquisa da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Estados Unidos) investigou como estas bactérias, que chegam a mais de mil espécies diferentes e somam trilhões de células, afetam o que pensamos e sentimos.
O estudo está revelando o papel de destaque do microbioma no desenvolvimento do autismo, ansiedade e a depressão.
A relação com o autismo chama a atenção.
Já há décadas, cientistas e médicos sabem que cerca de 70% das pessoas com autismo têm desordens gastrointestinais, como alergias alimentares e intolerância ao glúten.
Nestes casos, foi identificada a baixa concentração da bactéria Bacteroides fragilis.
Nos testes em que cobaias com sintomas similares ao autismo foram alimentadas com esta cepa, os animais tornaram-se menos ansiosos.
Quanto à ansiedade e a depressão, duas bactérias (lactobacillus e bifidobacterium), também testadas em cobaias, afetaram positivamente seu comportamento.
Os resultados assemelham-se ao efeito de medicamentos utilizados para o controle destes estados.
Aparentemente, é possível garantir o mesmo benefício ao aumentar o consumo de ioguurte, alimento rico em bactérias vivas como bifidobacteriumstreptococcuslactococcus e lactobacillus.
Estas descobertas apontam o caminho para possíveis tratamentos, o que ainda precisa ser testado em humanos.
A explicação é que o microbioma produz neurotransmissores, como serotonia e dopamina, e até butirato, que desempenham papel crucial no nosso estado de espírito.
Até sua ligação com o sistema imunológico influi em nosso humor.

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