Música para cachorro e gato: como relaxar os animais de estimação

Você já viu vídeos de cães, gatos e até calopsitas dançando? Mas a pergunta que não quer calar: como os animais entendem a música? Para responder essa questão, conversei com músicos, terapeutas do comportamento animal, médicos veterinários e até musicoterapeutas. O tema é recente. Há muitas pesquisas na área, mas a maioria ainda não consegue explicar quais são os mecanismos cerebrais, que fazem com que os animais respondam aos estímulos sonoros.


Aproveitei a Cãominhada de Santos e fui tirar algumas dúvidas com os músicos da Família Lima, que me receberam com muito bom humor e simpatia. O violinista Amon Lima explicou que o ser humano entende a música por conta de padrões, coisas que já ouvimos, que vão se familiarizando, e começamos a entender a estrutura musical. “Mesmo para alguém que seja leigo, [essa estrutura musical] começa a fazer sentido. Não sei se isso acontece também para o cachorro” comenta.


Lucas Lima, vocalista e violinista da banda (e marido da Sandy), confessa que já tocaram, de smoking, para vacas. Há estudos que mostram que, ao ouvirem música clássica, o leite da vaca é mais abundante e de melhor qualidade. Quem citou esse mesmo estudo foi o terapeuta comportamental Alexandre Rossi. Ele explicou que essa é uma teoria bem conhecida: “realmente há diferença entre as vacas que ouvem música clássica para aquelas que não ouvem música. Há variações, inclusive, dependendo do compositor da música ouvida. Uma possível explicação é que esse tipo de som relaxa as vacas e facilita a ordenha”.

José Carlos Lima, o patriarca da Família Lima, falou sobre harmonia musical: “A música, os sons e as vibrações têm uma combinação acústica e física de harmonia. Tem muitas pesquisas científicas que mostram que os animais sentem a reação das vibrações sonoras. Isso pode acalmar ou deixá-los mais excitados, mas que eles reagem, realmente reagem”.


O Dr. Pet, Alexandre Rossi, confirma que a música pode relaxar ou estimular os animais. Isso depende da experiência daquele animal com o tipo do som. Mesmo um rock pode acalmar, se esse som remeter a momentos bons. Uma música clássica que acalma e relaxa um cachorro, pode excitar outro que não esteja acostumado com a melodia. “Tive uma cliente que disse que o cachorro adorava uma certa música. Quando colocávamos a música, o cão pulava muito feliz. Ao olhar para a dona, víamos que ela também amava aquela canção. Normalmente, o som favorito de um animal é aquele que ele relaciona a momentos alegres e de brincadeira” relata. Vários estudos mostram que os animais tem preferência por música clássica e músicas para bebês. Ao ouvi-las, os cães ficam mais relaxados em comparação a outros estilos musicais.

Para testar todos esses estudos e teorias, busquei a musicoterapeuta Nathalia Maria. “Podemos utilizar a música para diversos casos, incluindo os comportamentais. A música é uma das poucas coisas que estimula o cérebro todo. Assim também funciona com os animais”. Ela contou sobre casos de animais que sofriam com dores, e a musicoterapia ajudou a estimular a liberação de serotonina e dopamina (hormônios do bem estar, que aliviam a dor).


Na maioria dos casos, os proprietários procuram esse tipo de tratamento para cães muito agitados, ansiosos, medrosos e até agressivos. “Eu não posso começar a sessão com música relaxante. Se o animal estiver agitado, isso pode deixá-lo nervoso. Inicio com sons mais animados, brincadeiras com os instrumentos e levo o animal a se acalmar, através do som e do toque” relata Nathalia.


Veja as dicas:
- ao sair, é interessante deixar uma música que o animal goste de ouvir quando está com o proprietário;
- o proprietário deve observar quais sons o animal não gosta, ou se assusta, evitando-os;
- o proprietário deve associar músicas que ele gosta a momentos de interação entre ele e o cão;
- o tutor deve cantar para ele;

O melhor profissional para ajudar a introduzir a musicalidade ao animal é o musicoterapeuta. Mesmo sendo um tratamento alternativo, muitas clínicas veterinárias já observam melhora no ambiente e diminuição do estresse dos animais, principalmente no banho e tosa.


Do jornal O Estado de São Paulo,

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