PM e Vigilância Sanitária apreendem 500 kg de material e fecham 'fábrica' de remédios

Cerca de meia tonelada de matéria prima que seria empregada para a fabricação de ‘medicamentos’ foi apreendida em uma ação realizada pela Polícia Militar e, posteriormente, contou com ação da Vigilância Sanitária, em Cuiabá. Na fábrica de produtos clandestinos, - que funcionava em uma residência no bairro Residencial Coxipó foram encontrados ainda 500 frascos de um remédio conhecido como “Gotas do Zeca” utilizado para ajudar na digestão. Foram apreendidos também centenas de frascos de outro medicamento rotulado como “limpa barriga”, que seria destinado para emagrecer. 


A assessoria de imprensa da Prefeitura de Cuiabá havia também viagra, mel, xaropes, anti inflamatório, chás, calmantes, estimulantes sexuais e até produtos de higiene pessoal (sabonete em barra e íntimo). Na ação, um rapaz de 25 anos, foi preso em flagrante. A ação foi realizada na semana passada.

De acordo com a Prefeitura, a equipe da Vigilância  necessitou fazer três viagens com caminhonetes carregadas para poder apreender todo material que havia no local.  A coordenadora da Vigilância Sanitária de Cuiabá, Carolina Arruda, conta que todo material da casa foi recolhido e que só de matéria prima havia cerca de meia tonelada. Segundo Carolina, infelizmente esta atividade ainda é comum.

“Cada camionete fez três viagens carregadas com produtos. Agora os agentes tóxicos serão incinerados e os demais materiais devem ser levados ao aterro sanitário de Cuiabá”, explicou a coordenadora.

Carolina relata que o local era extremamente sujo, apresentava mau cheiro e sem nenhuma condição de higiene. Lá encontraram  ainda ratos, baratas e até um sapo morto em uma das caldeiras de preparo dos medicamentos.

Todos os materiais ficavam expostos, espalhados no chão e alguns armazenados no banheiro da casa. Indignada com tamanha precariedade.

“Este é um local que faz parte do sistema conhecido ‘comércio negro’ de medicamentos, que nos deixa muito preocupados, pois  muitas pessoas acabam comprando por engano e consomem tais produtos”, desabafa a coordenadora.

A fiscal sanitária Gicelle Gomes alerta para a importância da população se atentar em comprar estes produtos somente em locais devidamente licenciados, que só comercializam medicamentos legalmente registrados e fiscalizados.

“Os estabelecimentos que comercializam medicamentos devem ter alvará exposto em lugar visível e deste modo só revendem produtos devidamente fiscalizados por todos os órgãos competentes como a Anvisa, Ministérios da Agricultura, da Saúde e outros”, explica a fiscal. Além disso, a equipe aponta que a matéria prima utilizada era de má qualidade, por exemplo, o mel, era um preparo feito de açúcar e água, o gengibre e própolis eram somente essências, ou seja, os produtos não surtem efeito real.

“O preparo era feito por pessoas que não são competentes para isso, pois não sabem administrar uma fórmula, não conhecem os agentes químicos e tudo sem a mínima condição de higiene” relatou a fiscal. Carolina explica que o consumo destes falsos medicamentos pode trazer sequelas graves.

 “Na verdade estes produtos não tem efeito positivo, ao contrário, podem causar sérios danos à saúde, provocar efeitos colaterais como alergias por exemplo”, ressaltou a fiscal.
 
Segundo a investigação realizada pela Vigilância Sanitária, o preparo era feito em panelas de ferro e os suspeitos utilizavam uma barra de metal para misturar os produtos. Tudo feito ao ar livre no quintal da casa que não era cimentado, cheio de mato, sujeira e exposto ao sol, chuva e poeira. Depois disso eles abasteciam os recipientes com o auxílio de um funil que não era esterilizado. Na casa, os policiais encontraram ainda três adolescentes que trabalhavam com o ‘manuseio’ dos produtos.


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