Por que algumas pessoas criam memórias falsas?



O jeito como o cérebro formula uma memória é bem parecido com a maneira como ele cria um sonho vívido: neurônios disparam e diversos pedacinhos de informação codificadas são reunidas.

Apesar de o cérebro nos dar a habilidade de checar os fatos, nem sempre conseguimos distinguir o que é fato e o que é ficção. Ao contrário dos mentirosos, que sabem que o que estão falando não é real, as pessoas que possuem memórias falsas realmente acreditam nelas. Os cientistas chamam essa falha de memória de confabulação.
De acordo com William Hirstein, professor de filosofia da Faculdade de Emhurst, nos Estados Unidos, a estrutura do cérebro de uma pessoa pode revelar se ela confabula e o motivo disso.
Em geral, os pesquisadores acreditam que a confabulação pode estar ligada com danos no lobo frontal do cérebro. Problemas nessa área dificultam a recordação e verificação de informações, fazendo com que as pessoas que passam por isso não consigam averiguar a realidade de suas memórias.
No entanto, quem tem um cérebro completamente saudável também corre o risco de confabular. Como somos criaturas sociais, aprendemos a dar as “respostas certas”, aquilo que, de alguma forma, trará aprovação exterior. A confabulação pode começar a partir dessa necessidade de manter uma reputação positiva.
Várias pesquisas apontam que as memórias confabulatórias tendem a ser positivas. Um estudo realizado com 10 pacientes amnésicos do Hospital St. Thomas, na Inglaterra, mostrou que, quanto mais depressivo o paciente, mais positivo era o conteúdo de sua confabulação. “Geralmente quem confabula tende a falsificar as coisas de uma forma positiva para si mesmo”, diz Hirsten.
Quem sabe que tem uma memória ruim costuma checar a informação automaticamente antes responder. Esse treino, quando feito regularmente, pode ajudar o cérebro a ser mais eficiente ao procurar as memórias e trazer à tona as que são mais precisas.Ainda não existe uma cura para essa ~criação de memórias falsas~ mas, segundo Hirstein, quem percebe que confabula e não tem nenhum dano cerebral significativo pode aprender a compensar essa falha.

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