Uso de agrotóxicos cresceu 700% em 40 anos no Brasil

Nos últimos 40 anos, a área plantada no Brasil aumentou 78%. Em contrapartida, o uso de agrotóxicos subiu 700%, afirma a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O excesso de agrotóxico aplicado sem controle pode provocar sérios danos à saúde de quem consome o alimento produzido nestas condições e também do agricultor, que aplica o produto no campo.

Os chamados defensivos agrícolas são aplicados em várias situações. Para matar as pragas, como insetos e larvas, o agricultor usa o inseticida. Já o herbicida é usado para eliminar as plantas daninhas e o mato. Para tratar doenças o indicado é o fungicida. Mas o produtor rural não espera todos esses problemas aparecerem na lavoura para começar a aplicar o agrotóxico.
“O ideal seria que o uso fosse o mínimo. Hoje é feito o calendário específico, tantas vezes de inseticida, tantas vezes de fungicida. Mesmo se não precise”, aponta o fiscal de defesa agropecuária Ney Omar Heiden do Araújo.
Para que possam ser comercializados, os defensivos passam por análise e só depois recebem autorização para venda. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia o dano à saúde, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) analisa os efeitos no meio ambiente e o Ministério da Agricultura confere a qualidade do produto. Além disso, no Paraná, as revendas precisam do registro da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).
A intoxicação pode provocar sintomas aparentes como convulsão, vômito e desmaios. Já a crônica é mais perigosa. “É aquela silenciosa. Já existem estudos sobre o indivíduo que ano após ano consumindo isso apresenta problemas de esterilidade e alteração de comportamento”, explica a médica Lilimar Mori.
A maioria dos casos de intoxicação não acontece na lavoura, mas antes, quando o agricultor prepara o veneno. Por isso a importância do uso de equipamentos de segurança. Quando falta consciência o resultado é a contaminação.
“Há uns 6 anos eu senti dor de cabeça e ânsia de vômito. Minha esposa teve que me levar ao hospital. É raro você ver o pessoal usar equipamento de segurança”, comenta o produtor rural Cláudio Almeida.
A produção de alimentos em grande escala, apontam os agricutores, ainda exige o uso de agrotóxico. “Você não consegue mais hoje produzir nesses níveis grandes sem usar o agrotóxico. O próprio sistema está exigindo”, aponta o fiscal de defesa agropecuária.
“Nós precisamos produzir, mas nós não precisamos produzir doença por causa desse ganho”, completa a médica Lilimar ao alerta para a necessidade da conscientização no uso deste tipo de produto.
Anualmente são usados no mundo aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de agrotóxicos. O consumo anual de agrotóxicos no Brasil tem sido superior a 300 mil toneladas de produtos comerciais. O consumo desses produtos difere nas várias regiões do país, nas quais se misturam atividades agrícolas intensivas e tradicionais, e nestas últimas não incorporaram o uso intensivo de produtos químicos.
Os agrotóxicos têm sido mais usados nas regiões Sudeste (cerca de 38%), Sul (31%) e Centro-Oeste (23%). Na região Norte o consumo de agrotóxicos é, comparativamente, muito pequeno (pouco mais de 1%), enquanto na região Nordeste (aproximadamente 6%) uma grande quantidade concentra-se, principalmente, nas áreas de agricultura irrigada. O consumo de agrotóxicos na região Centro-Oeste aumentou nas décadas de 70 e 80 devido à ocupação dos Cerrados e continua crescendo pelo aumento da área plantada de soja e algodão naquela região. Os estados que mais se destacam quanto à utilização de agrotóxicos são São Paulo (25%), Paraná (16%), Minas Gerais (12%), Rio Grande do Sul (12%), Mato Grosso (9%), Goiás (8%) e Mato Grosso do Sul (5%).

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