Anvisa aprova norma que reduz uso de animais em testes de laboratório

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma norma que reduz o uso de animais em testes de medicamentos, cosméticos e produtos de limpeza. A nova resolução é uma conquista para quem luta pelos direitos dos animais.

Para o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal de São Paulo, a medida abre um caminho para a restrição do uso de animais em pesquisas no Brasil. "Você imagina, por exemplo, o teste de um produto cosmético que é feito no olho direto de um animal, de um coelho, de um porquinho da índia e este animal não pode apresentar nenhum tipo de comportamento que tente eliminar este produto do olho. É um teste, por exemplo, que causa muita dor e sofrimento nos animais”, afirma Vania Plaza Nunes, diretora técnica do Fórum Nacional.
A regra foi aprovada nesta semana pela Anvisa e vai ser publicada nos próximos dias, mas as indústrias que usam animais como cobaias em testes ainda terão um prazo de cinco anos pra mudar os procedimentos.
"Nós aprovamos 17 novos métodos alternativos, que substituem em algumas áreas o uso de animais, por exemplo, para irritação de pele, para análise de irritação ocular. Em alguns casos, em alguns eventos, para medicamentos ou para agrotóxicos. Mas nestes casos, eles não conseguem substituir totalmente o uso de animais", explica Ivo Bucaresky, diretor da Anvisa.
Há muito tempo entidades de proteção animal pressionam o governo para mudar as leis no Brasil e fazer com que as indústrias utilizem métodos alternativos. A polêmica em torno do uso de animais em testes de laboratório ganhou mais força dois anos atrás, quando ativistas invadiram um prédio onde funcionava o Instituto Royal, em São Roque, interior de São Paulo.
Os manifestantes quebraram as portas e levaram quase 200 cães da raça Beagle, usados em testes para a indústria de cosméticos. O instituto fechou as portas e disse que mais de dez anos de pesquisas foram perdidos.
A reportagem do Jornal Hoje não conseguiu falar com o a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica, nem com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos.
G1

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