Cães bolivianos cruzam fronteira e transmitem vírus da raiva no Brasil

Cães bolivianos que cruzam a fronteira podem estar transmitindo o vírus da raiva no Brasil. 45 casos foram registrado em Corumbá, que fica na fronteira com a Bolívia. Um homem morreu depois de ser mordido e contaminado por um cachorro de rua. As ações preventivas só estão sendo feitas do lado brasileiro.


Só uma ponte separa os dois países. A suspeita é de que cães infectados com raivano lado boliviano teriam trazido o vírus que se alastrou entre cães e gatos nessa região do Brasil. "A variedade é do tipo 1, ou seja, é o tipo de vírus que só existe na Bolívia", explica Marcelo Shigheo, inspetor do Iagro. No lado brasileiro, cães soltos nas ruas são recolhidos pelos agentes do Centro de Controle de Zoonoses. Cinco novos casos de raiva canina foram registrados só na semana passada em Corumbá e Ladário. Uma força-tarefa já vacinou mais de 23 mil cães e gatos nas duas cidades.

Neste ano o Brasil registrou 46 casos de raiva canina, 45 só em Corumbá. Depois de semanas de internação, em maio deste ano, Flávio de Moraes, de 38 anos, morreu. Ele pegou raiva depois de ter sido mordido por um cão de rua em Ladário. E, para ajudar a controlar a doença em cães e gatos, o governo brasileiro doou 10 mil doses de vacinas antirrábica para a Bolívia. Mas há quatro meses essas doses continuam no Brasil porque as autoridades bolivianas não vieram buscar o material e informaram que não têm pessoal para vacinar os animais.´

As doses continuam na secretaria de saúde de Corumbá. "A cidade ainda está em surto e iminência de surgir novo caso humano por isso essas ações têm de continuar de uma maneira intensificada", alerta Viviane Amélia, gerente da Vigilância de Saúde/Corumbá. Enquanto na Bolivia não há vacinação e prevenção contra raiva, no lado brasileiro mais de mil pessoas já procuraram os postos de saúde porque foram arranhadas ou mordidas por animais não vacinados. Em humanos, são cinco doses da vacina antirrábica em menos de um mês. E, se a pessoa não volta pra tomar todas as vacinas, os agentes vão atrás.

André foi mordido por um gato de rua e não tomou todas as doses da vacina. "Eu não pude tomar a terceira dose e achei que já tinha quebrado o processo e não precisava mais tomar", conta o estudante André Gustavo Maciel. Esse é maior erro de quem foi mordido ou arranhado por animais: não tomar as vacinas. Aí não fica protegido. O perigo de novos casos humanos de raiva existe, tanto que em outubro deve ser feita nova campanha de vacinação em massa dos animais nas duas cidades pantaneiras. Autoridades sanitárias do Brasil e da Bolívia marcaram uma reunião na próxima semana para encontrar uma solução para esse problema.

As informações são do G1 

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