Comercialização da farinha não passa por fiscalização sanitária

Qual amapaense não espera, ansiosamente, a hora de o almoço chegar para que possa sentar-se a mesa e encher uma boa tigela de açaí com farinha? Mas o que o consumidor amapaense não está ansioso em saber ou não se preocupa, por simples negligência, é de onde vem e por onde passa essa farinha até chegar a suas mesas.
 
O processamento da mandioca está relacionado com a transformação das raízes em farinha. A escala de processamento da farinha vai desde as pequenas unidades artesanais de processamento, conhecidos como “retiros” (comunitária ou familiar), até às unidades agroindustriais comunitárias de pequeno porte que processam, em média, 20 sacas por dia.

O amapaense está acostumado há ir todo dia, seja na feira ou no mercado, comprar farinha. Para alguns comerciantes farinha é uma mercadoria que não pode faltar na prateleira. Com demanda em alta, o preço acaba crescendo. 

A procura é grande e, em muitos casos, pessoas acabam comprando farinha de péssima qualidade, outras dizem que na hora de escolher vão mais pela cor e aparência, mas, também, já houve casos de, mesmo com aparência boa, a farinha não estar “crocante”. O preço da farinha já chegou a custar 10 reias em muitos comércios da capital, mas hoje esse preço despencou um pouco.

Parte da farinha consumida aqui no estado vem do Pará e tem sua origem no nordeste paraense. A farinha do Pará, comercializada pelos demais atacadistas de Macapá e Santana, tem, também, sua origem no nordeste paraense, mais precisamente nos municípios de Santa Maria do Pará, São Miguel do Guamá e Irituia. 

É uma farinha do grupo d’água, em sua maioria de baixa qualidade, vem embalada em sacos de 30 kg e não possui classificação e registro.

É comercializada na orla portuária da cidade de Macapá (Perpétuo Socorro, Igarapé das Mulheres e Rampa da Santa Inês) e no porto de Santana, locais onde se localizam os armazéns atacadistas. A comercialização é feita diretamente pelos barqueiros que trazem o produto para os armazenistas locais que, posteriormente, fazem a venda aos pequenos varejistas de Macapá e Santana.

Em Macapá, o produto é muito vendido nas feiras. No bairro Buritizal, por exemplo, funciona uma das maiores feiras do produtor de Macapá. Conversamos com produtores que concordaram em uma coisa: falta fiscalização, seja da vigilância sanitária ou dos órgãos de defesa do consumidor. 

Com isso, eles acabam vendendo suas mercadorias em meio ao lixo, barata e briga por disputa de preço. 

A Dona Maria Daugiza Melo, residente na localidade de Igarapé do Felipe, assentamento Maracá, próximo ao município de Laranjal do Jarí, disse que os produtores não valorizam seus produtos e, na busca por vende-los, acabam reduzindo muito o preço e desmerecendo a todos. Para ela, os produtores deviam olhar para todas as condições que passaram para chegar até o produto final, que é a farinha. “Não há condições, damos duro para produzir a farinha e quando chegamos aqui os colegas não valorizam e acabam se deixando levar por conversas e não cobram o que realmente deveria ser cobrado. Eu dei duro para fazer o meu produto e manterei o preço, pois sei o que passei para finaliza-lo”, disse. 

Outra indignação de Dona Maria foi à falta de fiscalização no transporte desde a sua localidade até a capital, onde as condições são péssimas, isso sem falar na Feira do Produtor que está entregue às baratas, mas que não tem onde vender seus produtos, então, o único local é lá. Outras situações encontradas foram pessoas sentadas ou deitadas sobre os sacos de farinha.

O senhor Valdeci Oliveira, 42, disse que em sua casa chega a consumir cerca de 25 litros de farinha por mês, algo em torno de 15 quilos por mês. Falou, também, que na hora da escolha vai mais pela aparência do produto e, quando vai à feira, pede para provar um pouco, o famoso “teste-degustação”, para saber se é o que ele está procurando.

A reportagem do Jornal do Dia procurou a Secretaria de Vigilância Sanitária do município para falar um pouco sobre isso e saber como é feita a fiscalização, mas não conseguimos entrar em contato, seja na secretaria ou via telefone. 

O que sabemos é que, mesmo debaixo de todos esses problemas, um dos principais ingredientes da mesa do amapaense não pode faltar.

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