Por que somos 'atraídos' por coisas fedorentas?

No último fim de semana, uma flor de uma planta chamadaTrudy desabrochou nos jardins da Universidade da Califórnia - Berkeley, atraindo mais de 2 mil pessoas.

Trudy tem um nome e é tão importante por ser uma Amorphophallus titanum, uma chamada 'flor cadáver' gigante. Basicamente, seu odor extremamente forte serve para atrair insetos que ficam cobertos de pólen e, com sorte, pousam em outra planta cadáver fazendo a polinização e a fecundação da flor. E o cheirinho não é de ~limão. Pessoas o descrevem como uma mistura de cheiro de esgoto, de carniça e de peixe podre.
Então por que tanta gente vai visitar essa flor e não corre para longe?
O psicólogo Paul Rozin criou o termo 'masoquismo benigno' em um estudo de 2013. Na pesquisa, ele encontrou 29 exemplos de atividades que pessoas praticavam (e pareciam felizes em praticar) mesmo que a lógica disesse que não fazia sentido. Por exemplo, assistir um filme de terror que vai te assustar ou sentir dor ao fazer uma massagem. Há até os exemplos mais nojentos, como espremer uma espinha ou ver vídeos de cirurgias. 
O que Rozin classifica como melhor exemplo é a montanha russa - você passa por uma 'ameaça segura' durante as quedas. Você sabe que nada de ruim (esperamos) vai acontecer, mas seu corpo não sabe e essa é a graça. Cheirar uma planta cadáver dá no mesmo. Isso acontece porque gostamos, mesmo que de uma forma mais subconsciente, de fazer experiências em segurança para estarmos preparados para ameaças reais. 
O nojo que sentimos ao cheirar uma planta cadáver, afinal, tem um propósito: as coisas que mais nos dão nojo, afinal, são as mesmas que nos fariam mal. Por exemplo fezes ou um corpo apodrecendo. O nojo te impede de chegar perto dessas coisas - sem o contato, elas não podem te prejudicar. No caso da planta cadáver é um risco seguro descrito como masoquismo benigno - sabemos que a planta não irá nos fazer mal. Mas a curiosidade nos impulsiona a conhecer essa ameaça de perto.
Via NatGeo

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