Cientistas encontraram gene que pode ser a resposta para o cultivo de alimentos no espaço

Cientistas da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, encontraram um gene que permite que uma planta de tabaco cresça e se reproduza em um curto período de tempo no clima árido.

Em uma pesquisa divulgada na publicação científica Nature Plant, eles reveleram que trata-se da Nicotiana benthamiana, uma planta nativa de tabaco que vem sobrevivendo ao rigoroso clima da Austrália há mais de 750 mil anos. Ela tem a habilidade de receber genes de outras espécies sem rejeitá-los, assunto que, nas últimas décadas, foi tema do estudo de vários cientistas. 
A equipe de Queensland descobriu o motivo de isso acontecer. No artigo publicado, eles descrevem uma mutação genética encontrada na planta que faz com que ela tenha perdido sua habilidade de lutar contra organismos patógenos. A princípio isso parece algo ruim, mas na verdade faz com que a Nicotiana benthamiana foque toda a sua energia em crescer em um curto período de tempo.
Isso não funcionaria na Terra pois as plantas ficariam imediatamente cheias de patógenos. Mas, segundo os cientistas, é ideal para ambientes estéreis como um laboratório e o espaço.
Quando aplicado a outras plantas, o gene pode ser a chave para fazer com que colheiras cresçam rápido o suficiente em ambientes rigoroso do espaço, como à bordo da Estação Espacial Internacional e Marte, por exemplo. "A planta se desenvolveu para lutar contra a seca, sua inimiga número um, para conseguir sobreviver ao longo de gerações", afirmou a pesquisadora Julia Bally, da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, que conduziu o estudo. 
No filme Perdido em Marte, Matt Damon interpreta um astronauta que fica sozinho no planeta vermelho. O personagem utiliza seu conhecimento de botânica para cultivar batatas, de forma a ter alimentos o suficiente para conseguir sobreviver até a NASA mandar uma expedição para buscá-lo. "A nossa hipótese mostra que o filme pode ter mais ciência do que ficção ao final de contas", disse o pesquisador Peter Waterhouse. 
NASA já está trabalhando a todo vapor para de fato mandar humanos para Marte nas próximas décadas. O recrutamento para novos astronautas começa em dezembro e a decoberta dos australianos pode fazer com que essa nova geração tenha o que colher para se alimentar ao chegar no planeta vermelho. 

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