EUA liberam a produção de galinha geneticamente modificada

Ao contrário do salmão transgênico, a galinha não poderá servir propósitos alimentares. A ave foi geneticamente modificada para que seus ovos produzam a droga Kanuma (Sebelipase alfa), o primeiro tratamento para pacientes com uma condição rara, conhecida como Deficiência de Lipase Ácida Lisossômica, ou Doença de Wolman.
O problema vem da deficiência de enzimas responsáveis por metabolizar os lipídios. Isso leva ao acúmulo de gordura nas células dos órgãos, principalmente no fígado e intestino delgado. A doença afeta um em cada 350.000 recém-nascidos no mundo.
A nova terapia fornece a proteína capaz de produzir a lipase ácida lisossômica. As proteínas, inativas nos pacientes que sofrem com a doença, estão presentes na clara do ovo das galinhas que tiveram seus genes alterados. As claras são refinadas e delas são extraídas as substâncias para a produção da droga Kanuma. Depois, o medicamento é administrado por via intravenosa, a cada uma ou duas semanas, dependendo do caso.
"A deficiência é uma condição rara e hereditária, que pode levar a sérias complicações nos órgãos, especialmente no início da infância. Usando essa tecnologia, os pacientes pela primeira vez têm acesso ao tratamento que pode melhorar suas vidas e aumentar as chances de sobrevivência", diz Janet Woodcock, do Centro de Avaliação e Pesquisas de Drogas dos Estados Unidos.

Como foi aprovada pela FDA (Food and Drug Administration), as galinhas teoricamente não oferecem risco ao meio ambiente e a outras pessoas. Elas serão criadas especificamente com o intuito de produzir ovos para o tratamento da doença, e seu consumo e comercialização estão proibidos. "A empresa tomou medidas rigorosas para garantir que nem as galinhas e nem os ovos entrarão no mercado alimentício, e nós confirmamos seus sistemas de contenção, inspecionando suas instalações", comenta Bernadette Dunham, da FDA.

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