Uma em cada 10 pessoas é vítima de intoxicações alimentares

Os números são alarmantes. Segundo o relatório "Estimativas da Carga Global das Doenças Provocadas por Alimentos", publicado no início do mês pela Organização Mundial de Saúde, todos os anos morrem 420 mil pessoas com doenças associadas a alimentos, 125 mil são crianças com menos de cinco anos. 

Em Portugal os números não revelam tudo. Os dados apontam para menos de 200 casos de salmonelose (infecção por salmonela), por exemplo. "Mas os casos não notificados são mais elevados, o que se traduz num impacto muito maior da doença", garante Sara Monteiro Pires, especialista em avaliação de risco em segurança alimentar e saúde pública. 

A especialista, que está entre os cem especialistas que investigam para a OMS a carga da doença das infecções transmitidas pelos alimentos, defende que as intoxicações alimentares deviam ser reportadas aos centros de saúde. "A maior parte dos que ficam doentes com uma intoxicação alimentar não vai ao médico e, se vai, não faz análises e os agentes da doença não são reconhecidos". 


Isso faz com que as informações sobre a doença sejam poucas. "Este é um problema mundial: não há reconhecimento suficiente do impacto na saúde pública de doenças transmitidas por alimentos e o impacto é sempre maior do que normalmente é reportado", alerta a investigadora do Instituto Nacional da Alimentação da Universidade Técnica da Dinamarca. 


O relatório tenta alertar para o impacto destas doenças. "Finalmente, a OMS pode dar conselhos, chamar a atenção para prioridades nas diferentes regiões do mundo em relação a doenças de origem alimentar, como por exemplo, quais os agentes que estão a causar mais doenças, em termos de incidência, mortalidade e perda de qualidade de vida e quais as diferenças de região para região", explica Sara Monteiro Pires.

Assegurar acesso a alimentos seguros e campanhas de sensibilização sobre como cozinhar bem os alimentos são duas medidas que podem prevenir a incidência das intoxicações alimentares. "Esta prevenção exige estratégias de controlo ao longo de toda a cadeia alimentar, desde o prado ao prato. Para definir estas estratégias de segurança alimentar e definir prioridades, é importante saber quais os agentes (bactérias, vírus, parasitas, contaminantes) que causam mais doença na população, e quais os alimentos que os transmitem", concluiu Sara Monteiro Pires. 

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