Uso exagerado de antibióticos em animais para abate pode induzir infecções resistentes em humanos

Desde 2012 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, vem controlando o uso de antibióticos em humanos, porém, a busca por produtividade nas granjas e fazendas, fazem dos animais os maiores consumidores destes insumos.

Para se ter uma ideia do do tamanho do problema, nos EUA, 70% dos antibióticos comercializados naquele país, são para uso por animais, não somente para tratar, mas principalmente para prevenir infecções que possam retardar o crescimentos dos animais para abate. No mundo, este percentual de antibióticos para uso animal chega a 50%.
No mês passado, cientistas chineses descobriram uma bactéria resistente à colistina, antibiótico usado quando outros meios usualmente empregados para combatê-la haviam falhado. Aparentemente, ela surgiu em animais criados por agricultores e também foi detectada em pacientes em hospitais. Já chega a se falar em uma era em que os antibióticos serão totalmente ineficazes em humanos, o que poderá ser responsável por mais de 10 milhões de mortes até 2050.
A Dinamarca, um dos principais exportadores de carne de porco no mundo, conseguiu reduzir o uso de antibióticos na agricultura para no máximo 50 mg para cada 1 kg de animais. A título de comparação, os Estados Unidos usam quase 200 mg/kg e Chipre emprega mais de 400 mg/kg.
É necessário que a Anvisa inicie imediatamente um controle maior dos antibióticos utilizados nas agricultura e o Ministério da Agricultura estabeleça técnicas de manejo mais adequado dos animais. Antibióticos são mais úteis em criações com instalações com muitos animais e sujas, como galinheiros e pocilgas de criação intensiva. Neste as infecções se espalham mais facilmente.
Alguns criadores no Brasil já vem adotando locais mais espaçosos e higiênicos como forma de reduzir o stress nos animais e a necessidade de aplicar estas substâncias.
Fonte: BBC Brasil

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