Tipo raro de insônia pode matar

De acordo com o autor de livros científicos David Robson, em uma entrevista recente para a BBC, existe um tipo bastante raro de insônia
(ou, na descrição um tanto quanto aflitiva de Robson, "um coma acordado"), que eventualmente acaba em morte, poucos anos depois da manifestação dos sintomas, que aparecem aos poucos.
O mais curioso é que a doença é herdada geneticamente – logo, as poucas (e desafortunadas) famílias que tinham casos como esses logo aprenderam a reconhecer os indícios da doença. Entre eles, estão sudorese, diminuição das pupilas, tremores, impotência e constipação, seguido pelo sintoma mais terrível: o total desaparecimento da vontade de dormir. 
Um dos pacientes diagnosticados com a doença, conhecido como Silvano, doou seu cérebro para a ciência para ajudar na busca das causas – e principalmente, de um tratamento – para sua doença, que também matou alguns de seus familiares. Os cientistas, então, encontraram danos substanciais na região do tálamo, por conta de uma mutação genética da família. Essa mutação impedia que Silvano entrasse em um estágio do sono conhecido como "ondas lentas", que, ao que tudo indica, provoca a restauração do cérebro por meio da liberação do fluido cerebrospinal, que contém toxinas e "detritos" dos canais neurais. 
Essa mesma região do cérebro também é responsável por processos autonômicos, como regular a temperatura do corpo. Quando para de funcionar, é como se seu "aquecimento central" estivesse totalmente desregulado – por isso o suor descontrolado e as pupilas diminutas, a importência e a constupação. "Esse comportamento errático pode contribuir para a insônia dos pacientes. É como se o corpo deles não conseguisse se preparar para uma noite de sono", explicou Robson. 

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