Inspeção acha mais 300 toneladas de remédio vencido em depósito

Mais 300 toneladas de medicamentos vencidos foram encontradas nesta segunda-feira (22) na Central Geral de Abastecimento (CGA), da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro.

O local, no bairro Barreto, em Niterói, Região Metropolitana do Rio, é o mesmo onde, em janeiro, uma fiscalização do Ministério Público descobriu mais de sete mil itens que deveriam ser usados em cirurgias vencidos.
Durante inspeção no local, o deputado estadual Pedro Fernandes (Solidariedade), presidente da Comissão de Orçamento da Alerj, se disse "perplexo" com a quantidade de remédios desperdiçados. Outras 700 toneladas de medicamentos vencidos já haviam sido incineradas, segundo reportagem da "Veja", entre junho de 2014 e março de 2015.Na época, o prejuízo foi calculado em R$ 2 milhões. O material encontrado nesta segunda ainda terá valor calculado.
"Para nossa perplexidade, é um mundo. Os medicamentos estão prontos para ser incinerados. Além das 700 toneladas descartadas, encontramos mais 300 toneladas, a princípio. Faremos o pedido de prisão dos envolvidos", afirmou ao G1 Pedro Fernandes.
Também participaram da inspeção o atual superintendente da Secretaria de Saúde e representante do consórcio Log Rio, responsável pela administração do local. O consórcio é formado pelas empresas Facility e Prol.
Um dos lotes de remédios vencidos encontrados em depósito da secretaria (Foto: Divulgação)Um dos lotes de remédios vencidos encontrados em depósito da secretaria (Foto: Divulgação)
Segundo informou ao G1 o deputado, os representantes do consórcio afirmaram que repassavam, mensalmente, um relatório à Secretaria de Saúde informando quais eram os medicamentos que estavam prestes a vencer.
Além do pedido de prisão e responsabilização dos agentes públicos envolvidos, o parlamentar disse que pretende descobrir o porquê dos medicamentos não terem sido disponibilizados à população. No local, estavam remédios vencidos desde 2009 e pelos anos seguintes, até 2015.
Secretaria culpa gestão anterior
Em nota, o secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Jr., que  assumiu a pasta em 4 de janeiro de 2016, disse que tomou a decisão de exonerar os profissionais que faziam parte da Corregedoria, por se tratar de cargo de confiança, que não recebeu qualquer relatório do trabalho da antiga equipe da Corregedoria e que "desconhece que qualquer processo tenha sido enviado ao Ministério Público".

"Cabe ressaltar que a atuação da antiga equipe da Corregedoria não impediu que houvesse o vencimento de materiais – as incinerações compreenderam produtos vencidos desde 2009 e ao longo do ano de 2015", diz o texto enviado pela assessoria de imprensa.
Ainda de acordo com a secretaria, o superintendente de Armazenagem e Distribuição, além de outros profissionais do setor, que ocupavam os cargos desde 2011, inclusive na gestão do antigo secretário Felipe Peixoto, foram exonerados e substituídos no início de 2016. A secretaria diz ainda que abriu uma sindicância para realizar um levantamento de todo material em estoque, quando o MP-RJ constatou a existência de materiais vencidos em estoque, em janeiro deste ano (veja a íntegra abaixo).
Veja a íntegra da nota da Secretaria de Estado de Saúde:
"O secretário de Estado de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Jr., que  assumiu a pasta no dia 4 de janeiro de 2016, tomou a decisão de exonerar os profissionais que faziam parte da Corregedoria, uma vez que tratam-se de cargos de confiança.

Cabe informar ainda que, ao assumir, o secretário não recebeu qualquer relatório do trabalho da antiga equipe da Corregedoria e desconhece que qualquer processo tenha sido enviado ao Ministério Público-RJ. Cabe ressaltar que a atuação da antiga  equipe da Corregedoria não impediu que houvesse o vencimento de materiais - as incinerações compreenderam produtos vencidos desde 2009 e ao longo do ano de 2015.

A Secretaria de Saúde informa ainda que o superintendente de Armazenagem e Distribuição, além de outros profissionais do setor, que ocupavam os cargos desde 2011, inclusive na gestão do antigo secretário Felipe Peixoto, já foram exonerados e substituídos no início de 2016.
Vale informar ainda que uma sindicância foi aberta pela SES, por meio do processo 08/002/46/2016, para realizar um levantamento de todo material em estoque, quando o MP-RJ constatou a existência de materiais vencidos em estoque, em janeiro deste ano. Todas as informações serão enviadas pela SES para o MP-RJ, que instaurou inquérito civil.

O secretário Luiz Antônio Teixeira JR. acrescenta ainda que toda a documentação referente ao setor de Armazenamento e Logística, bem como todos os contratos, serão enviados pela SES ao MP.

Desde o início de 2016, a SES implementou novas medidas para aumentar o controle sobre a distribuição de produtos, tais como a determinação para que a empresa responsável envie relatórios mensais de materiais que tenham data de vencimento em seis meses subsequentes. A medida visa antecipar e prevenir os gestores quanto ao vencimento de materiais, para que estes possam ser distribuidos de forma mais eficiente na rede estadual de saúde ou mesmo doados para unidades que atendam pelo SUS. Cabe informar ainda que, ainda em janeiro deste ano, o contrato com a LogRio foi renegociado e reduzido em 43,6%. Atualmente, a empresa recebe R$ 2,5 milhões mensais para executar os serviços de recebimento, armazenamento e distribuição de material."

Do G1

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