Purple drink, droga conhecida nos EUA, começa a circular no Brasil

A Vigilância Sanitária, em Santa Catarina, está em alerta pra uma nova droga que começou a circular no estado.

 A bebida, muito conhecida nos Estados Unidos, é feita com uma mistura de remédios proibidos no Brasil.
A mulher desabafa. “Ele vira a noite usando. Ele perdeu o emprego em função disso. Sai à noite e dorme de dia. Está bem difícil deixar esse vício”, diz.
O filho dela é uma das vítimas de uma droga que começa a ficar conhecida no Brasil. A bebida tem vários apelidos, o mais conhecido é purple drink, que em português significa 'bebida roxa'. É uma mistura de refrigerante com um remédio receitado normalmente para aliviar a tosse.
“Esse tipo de xarope contém uma substância chamada codeína, que tem um potencial de dependência extremamente grande. Pode causar sérios problemas em doses elevadas. E a prometazina é um medicamento da classe dos anti-histamínicos, ou seja, são antialérgicos. Pela associação das duas drogas você pode ter um efeito realmente de agitação, de euforia”, diz o psiquiatra Marcos Zaleski.
O medicamento é proibido no Brasil pela Anvisa. “Não sendo um medicamento autorizado no Brasil, o comércio é ilegal. Caracteriza tráfico de droga e crime contra a saúde pública também”, diz Raquel Bittencourt, diretora da Vigilância Sanitária de SC.
Mas a proibição não impede que o medicamento chegue ao Brasil. Na internet, o produto é oferecido em um perfil de uma rede social.
O vendedor é de Florianópolis. A bebida é mostrada em várias fotos. É possível ver os frascos sendo embrulhados. Em outra imagem aparecem potinhos enviados pelos Correios.
Com conhecimento da Vigilância Sanitária, o Hora 1 fez contato com o vendedor. Ele diz que o xarope vem dos Estados Unidos. Confirma que é feito à base de codeína e prometazina. Diz que já vendeu mais de cem frascos. A compra foi fechada. O ponto de encontro foi na região central de Florianópolis. Depois do pagamento, outro homem leva o frasco de remédio.
Nos Estados Unidos, várias pessoas morreram com suspeita de overdose. Por isso, em 2014, a principal fabricante de xarope de codeína decidiu tirar o produto do mercado.
O produto comprado pela equipe de reportagem será encaminhado à Anvisa, responsável pelo controle e fiscalização do comércio de medicamentos no Brasil e que vai investigar o caso. A Polícia Federal em Florianópolis disse que vai aguardar a posição da Anvisa para definir quais os procedimentos criminais e de investigação que serão adotados.
A mãe do usuário que não quis ser identificada faz um apelo. “Faço uma alerta às mães que controlem seus filhos, que investiguem as coisas, que observem mais o olhar, a respiração, como chegam em casa pra que a gente consiga salvar essa turma”, diz.
G1

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