'Viagra feminino' não funciona tão bem quanto anunciado, diz estudo

O medicamento Flubaserin, chamado de "Viagra feminino", está mostrando resultados bem abaixo do esperado, diz um estudo publicado na revista "JAMA Internal Medicine".


A droga é bem diferente do Viagra. Enquanto este é uma pílula de efeito instantâneo, o Flibanserin deve ser tomado como um tratamento, para elevar níveis gerais de libido, aumentando a chance de a paciente ter vontade sexual. Em agosto de 2015, a FDA, agência que regula medicamentos nos EUA, aprovou o uso e venda da droga, que se tornou então o primeiro tratamento autorizado para a falta de desejo sexual em mulheres.

Mas, de acordo com o novo estudo, esse aumento gradual de desejo não ocorre. Ou é sutil demais para aumentar a frequência de relações sexuais de uma mulher. Os pesquisadores holandeses analisaram quão seguro e efetivo é o medicamento, revendo oito testes clínicos, que reuniram dados de 6 mil mulheres. Cinco dos testes haviam sido publicados, três não. Segundo os cientistas, os estudos não eram detalhados o bastante, e as evidências de que a Flibanserin funciona são "de baixa qualidade". Ainda de acordo com eles, a droga aparecia melhor nos estudos publicados do que nos não publicados.
Pelos resultados, a droga não aumentou a frequência média de relações das mulheres. Elas tiveram, estatisticamente, apenas mais meio encontro sexual satisfatório por mês. Enquanto isso, o remédio aumenta as chances de desenvolverem sonolência, tontura, fadiga e náusea. Os pesquisadores dizem que precisa-se de mais pesquisa, e que "os dados apresentados até agora sugerem que a melhora é mínima".

A empresa Valeant Pharmaceuticals, que fabrica a substância sobre o nome "Addyi", respondeu às críticas:
"É crucial que mulheres sofrendo de disordens de falta de desejo sexual possam falar com seus médicos sobre todas as suas opções de tratamento para tratar dessa condição séria e reconhecida pela medicina. Análises como a publicada omitem contexto diminuindo a importância do aumento de encontros sexuais frequentes para os que sofrem, tornam a conversa sobre isso mais difícil", diz o chefe da equipe médica da empresa, Tage Ramakrishna.
 
O Globo

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