Seus genes sabem quando você vai perder a virgindade

Segundo um estudo recente do Medical Research Council (MRC) publicado no periódico Nature Genetics, seus genes podem ter influenciado a idade que você teve sua primeira relação sexual.

 Segundo Felix Day, da Universidade de Cambridge, que trabalhou no estudo, existe um "componente genético razoavelmente perceptível" que influencia essas áreas. Mas também reforça que fatores sociais e culturais influenciam – e muito – no momento da primeira relação sexual.
O estudo identificou 38 genes diferentes que estão diretamente relacionados ao momento do nascimento e da puberdade – assim como a idade em que os indivíduos perdem a virgindade. O objetivo maior da pesquisa, contudo, é prever a relação entre genética e comportamento. Day disse à Wired que o estudo nesse sentido está começando a gerar frutos. "Eu acho que as pessoas já estão confortáveis com a ideia de que genes determinam, ou pelo menos ajudam a determinar, diversas características particulares. Mas a ideia de que pode haver um componente genético na personalidade não é algo que muita gente pensa a respeito". 
Já é possível mensurar, por exemplo, que o gene CADM2, responsável por controlar atividade cerebral e conexões entre células, tem uma variante genética que influencia uma personalidade mais afeita a riscos. Este gene, juntamente com outro chamado ESR1, é relacionado ao número de filhos que uma mulher tem. Já um temperamento mais intempestivo pode surgir por conta do gene MSRA. 
Para o estudo, a pesquisa levantou informações genéticas de mais de 59 mil homens e 66 mil mulheres, todos com idades entre 40 e 69 anos. Os dados foram fornecidos pelo UK BioBank, uma instituição de caridade que coleta informações de saúde de 500 mil pessoas ao redor do Reino Unido. Usando um modelo de regressão, os cientistas analisaram o DNA de pessoas que cedeu informações sobre quando perderam a virgindade e quando seu primeiro filho ou filha nasceu. O levantamento ofereceu cerca de 10 milhões de dados genéticos e "apenas 38 deles são estatisticamente significantes", explicou Day.
"Mostramos que uma proporção substancial de variação no primeiro ato sexual é apresentada em fatores genéticos, que agem por meio de diversos mecanismos biológicos, que podem influenciar traços físicos, como o momento da puberdade, ou características de personalidade, como propensão à tomada de riscos", aponta o estudo. Outras pesquisas lideradas pelo mesmo time apontaram que entrar cedo na puberdade pode apresentar diversos fatores de risco a longo prazo, como diabetes, doenças do coração e alguns tipos de câncer. Um dos autores da pesquisa, Ken Ong, diz: "já havíamos mostrado que entrar cedo na puberdade e abandono rápido da infância traz riscos de doenças na maturidade, mas agora pudemos mostrar que os mesmos fatores podem ter um efeito negativo na juventude também, como início de vida sexual muito cedo e pouca inclinação à educação".

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