Não deixe seu cachorro lamber você

A mania que seu cachorro tem de lamber todos ao seu redor vem do tempo em que seus ancestrais andavam em matilhas. 

A lambida era reservada para a "família", para os animais de quem o cachorro gosta. Hoje em dia, essa família é você - e o pobre do cãozinho tem as melhores intenções do mundo.
O problema é que a saliva dele é cheia de bactérias. A maioria delas não faz mal nenhum aos cachorros, mas pode levar a infecções em outras espécies, como a nossa.
Uma bactéria em especial, a Capnocytophaga canimorsus, está presente na boca de 75% dos cachorros saudáveis e, na maioria das vezes, uma lambidinha deles não vai causar nenhum problema. Mas a infecção causada por esse microorganismo traz uma taxa de mortalidade de 30%, o que é bastante significativo.
Geralmente, humanos são infectados com a Capnocytophaga através das mordidas de cachorros. Mas médicos que trataram uma senhora de 70 anos ficaram surpresos ao descobrir que a bactéria também seespalha através de lambidas. A idosa, dona de um galguinho italiano, teve uma infecção generalizada e ficou semanas hospitalizada, mas sobreviveu.
O caso chamou a atenção para os riscos que a saliva dos pets pode oferecer, especialmente para pessoas com a saúde mais frágil, como bebês, idosos e pessoas com deficiências imunológicas.
Além de prestar atenção às doenças que os cachorros podem transmitir aos humanos, o contrário também é válido: eles também são mais suscetíveis a algumas bactérias que não nos causam mal. Mais do que isso, nossos cachorros têm contato com superbactérias resistentes a antibióticos que nós carregamos com frequência na pele e no nariz.
Mas também não precisa colocar seu cachorro em quarentena. Os casos de infecção (para os dois lados) causadas pela relação entre cães e humanos ainda são raros. Além disso, com a terapia animal se tornando cada vez mais frequente para dar um up psicológico em crianças e adultos internados, os hospitais já tem um cuidado especial com controle de infecções para preservar tanto a saúde dos pacientes quanto dos próprios cachorrinhos, e garantem que os riscos são menores que os benefícios de ter um bichinho de estimação sempre ao seu lado.

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