Policlínica armazena vacinas em coolers

A Policlínica do Gonzaga, em Santos, está sem câmara refrigerada para guardar as vacinas aplicadas em adultos e crianças. 

As ampolas são armazenadas, de forma improvisada, em dois coolers, semelhantes aos que são usados para manter a temperatura de bebidas, como refrigerantes. Eles ficam sobre uma pia.
A Reportagem confirmou a situação no local, em três oportunidades, nos últimos seis meses. Esse tipo de compartimento só deve ser usado para transporte de vacinas e para facilitar a aplicação em épocas de campanha de imunização, mas não para guarda definitiva.
Segundo funcionários da unidade de saúde, a situação já está desse jeito há mais de um ano. Enquanto a Prefeitura não fornece o refrigerador adequado, há um esforço deles para manter os coolers gelados, com uso de bolsas de gelo (gelox). Termômetros foram colocados nos recipientes e presos com esparadrapo. Mas é quase impossível garantir o controle da temperatura o tempo inteiro, o que pode afetar a qualidade das vacinas.
Pode estragar
A médica pediatra Márcia Faria Rodrigues, responsável por uma clínica particular de vacinas em Santos, explica que as ampolas deve ser armazenadas entre dois e oito graus e que o microcongelamento inutiliza os produtos. 
“Portanto, não podem ficar diretamente expostas ao gelo ou em contato direto com gelox. É obrigatório o controle com termômetro, de máxima e mínima, e o envio dos mapas de controle todos os meses para a vigilância sanitária”, diz.
Segundo a especialista, a câmara refrigerada deve ser apropriada. Um frigobar ou geladeira doméstica comum também não servem. As vacinas devem permanecer secas e em embalagem original. 
“Existem tabelas para cada vacina, onde constam a temperatura máxima e o tempo máximo em que cada uma pode ser ainda utilizada após a exposição a temperaturas fora da faixa adequada”, salienta.
Prefeitura
Embora constatado por A Tribuna, a Prefeitura de Santos afirma, em nota, que “não procede a informação de que há falta de geladeira na policlínica do Gonzaga”. Ainda segundo a Administração Municipal, “o uso de gelox é uma estratégia utilizada para garantir a preservação da temperatura da vacina, inclusive dentro da geladeira, a chamada câmara de vacina, em especial durante as campanhas, quando a abertura e fechamento das portas é mais constante”.
A Prefeitura afirma, também, que as equipes mantêm vigilância sobre a temperatura. “É uma técnica, não um improviso. O monitoramento por meio de termômetros visa garantir o padrão de qualidade e a eficácia das vacinas, sendo uma metodologia orientada pela Seção de Vigilância Epidemiológica, a quem compete o recebimento das doses oriundas do Ministério da Saúde e a distribuição para as policlínicas”.

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