Empresa e produtor são autuados por venda de morangos contaminados

Fiscais do Instituto Mineiro de Agropecuária (MG) autuaram a empresa pertencente ao prefeito de Estiva (MG), João Marques Ferreira (PT) em até R$ 18 mil e o produtor rural Paulo Giovani Resende em até R$ 27 mil. 

Os dois são citados pela Vigilância Sanitária do Estado do Paraná pela venda de morangos com resíduos de agrotóxicos, o que não é permitido para a cultura da fruta.

“Vai ser feito um processo onde essa penalidade foi de R$ 6 mil Ufemgs (Unidades Fiscais do Estado de Minas Gerais) e deverá ser feito uma multa para ele [o prefeito, dono da empresa] de até R$ 18 mil”, disse Walter Modesto, fiscal agropecuário do IMA.

Vigilância diz que lote de morangos de Estiva continha agrotóxicos de uso não recomendado. (Foto: Reprodução EPTV)
Vigilância diz que lote de morangos de Estiva
continha agrotóxicos de uso não recomendado.
(Foto: Reprodução EPTV)
Já o produtor Paulo Giovani Resende também foi notificado. Segundo o IMA, ele seria o produtor indicado pela empresa como o fornecedor dos morangos contaminados. Ele tem até cinco dias para apresentar as notas fiscais e receituários agropecuários que comprovem a procedência do que foi utilizado na lavoura.

“Faltou alguma documentação para ele nos apresentar. Nós fizemos uma notificação para que ele, em cinco dias, nos apresente essa documentação e isso vai ser, provavelmente, feito a ele, a gente comprovando, um auto de infração de até R$ 9 mil Ufemgs, que vai dar um valor de até R$ 27 mil”, disse o fiscal agropecuário.

Ainda de acordo com o fiscal do IMA, a culpa neste caso é compartilhada e cabe autuar tanto quem produziu, quanto quem vendeu o morango contaminado. Além disso, o técnico agropecuário também deve ser responsabilizado, por indicar o uso dos agrotóxicos, e também a revenda, de onde eles saíram.
"Toda essa cadeia de comercialização, tanto o comerciante quanto o produtor como as revendas, todas estão dentro desses procedimentos que todos têm que estar corretos, senão vão sofrer penalidades que podem gerar multas, que são multas altas", explicou o fiscal do IMA.

A equipe ainda tentou contato com o produtor Paulo Giovani Resende, mas foi informada na propriedade de que ele não estaria no local. Até a publicação desta reportagem, ele não havia sido encontrado para falar sobre o caso.

A equipe de reportagem da EPTV Sul de Minas tentou contato com Ferreira na empresa, na casa dele e também na prefeitura. Por telefone, o diretor comercial Sávio Ferreira, que também é o filho do prefeito, disse que eles apenas revendem a fruta de produtores da região. Sobre a notificação, ele não quis se pronunciar e disse que não vai mais falar sobre o caso. A empresa tem até 30 dias para apresentar defesa.
Lote de Morango que saiu de Estiva foi apreendido no Paraná (Foto: Reprodução EPTV)Lote de Morango que saiu de Estiva foi apreendido no Paraná (Foto: Reprodução EPTV)
Entenda o caso
Um lote com 600 bandejas de morangos, com validade de 8 a 13 de novembro, teve a venda suspensa pela Vigilância Sanitária do Paraná. A Secretaria de Estado da Saúde informou na última quinta-feira (16), por meio de nota oficial, que a fiscalização uma inspeção da Vigilância Sanitária do Paraná identificou em um dos lotes do produto a presença de agrotóxicos não recomendados para esse tipo de cultura.

Uma amostra com sete bandejas do lote foi apreendida no dia 8 de novembro por fiscais sanitários. Após análise laboratorial, foi constatada a presença de lufenurom, espiromesifeno e metomil, agrotóxicos que não são recomendados para a cultura de morango, embora possam ser utilizados em outros tipos de alimentos. O chefe da vigilância estadual do Paraná, Paulo Costa Santana, recomendou no laudo a suspensão imediata do consumo e a retirada de circulação de todo o lote.
Do G1 Sul de Minas

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