Merenda escolar brasileira coloca saúde de estudantes em risco

A cada dia no Brasil, 43 milhões de crianças e adolescentes se alimentam em escolas, que devem oferecer porções semanais de frutas e verduras no cardápio.

Em 2014, a merenda escolar foi destacada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) como fator importante para a saída do Brasil do Mapa Mundial da Fome.
No primeiro semestre de 2016, o Programa Mundial de Alimentos da ONU elogiou o Brasil por vincular a alimentação escolar à compra de produtos da agricultura local.
Em todo o País, 30% do orçamento para refeições em centros de ensino deve ser utilizado para adquirir alimentos de agricultores familiares.
Mas isso pode mudar. A partir do próximo 24 de novembro, entrará em vigor o Decreto 8889, assinado por Michel Temer no dia 26 de outubro, que elimina o Departamento de Geração de Renda e Agregação de Valor da Secretaria de Agricultura Familiar.
Este departamento foi fundamental na criação e na implementação do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA). Há dois anos, o programa começou a incentivar a produção agroecológica e orgânica.
Além disso, recentemente foram levantadas dúvidas sobre a qualidade dos alimentos da merenda escolar.
Em pesquisa encomendada pelo Greenpeace, o Laboratório de Resíduos de Pesticidas do Instituto Biológico de São Paulo analisou 11 tipos de alimentos fornecidos à rede municipal de ensino da cidade do Rio de Janeiro, e encontrou cinco alimentos fora de conformidade com a legislação brasileira. Um deles contém resíduos de uma substância proibida desde 2012.
Segundo teste toxicológico, o feijão carioca apresentou resíduos de dois agrotóxicos: um não permitido para esta cultura em específico e outro acima do Limite Máximo de Resíduo (LMR) estipulado por lei.
O pimentão amarelo, o pimentão verde, o feijão carioca e o pepino continham agrotóxicos proibidos para a cultura em específico. A couve-manteiga, apresentou resultados ainda mais preocupantes: foi encontrado o Metamidofós, substância proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) desde 2012.
Sobre o pimentão amarelo, foram detectados resíduos de sete tipos diferentes de agrotóxicos. O arroz também apresentou resquícios de duas substâncias que, embora estejam dentro do LMR, não foram submetidas a estudos que garantam um nível seguro do consumo de agrotóxicos a longo prazo ou sobre os efeitos de diferentes substâncias combinadas no organismo.

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