Legalização do casamento LGBT evita 134 mil suicídios por ano nos EUA

A legalização do casamento gay nos Estados Unidos, que foi aprovada em julho de 2015, evitará 134 mil tentativas de suicídio entre estudantes de ensino médio todos os anos. 

A estimativa é de pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, na cidade norte-americana de Baltimore.
No artigo, publicado no último dia 20, eles compararam as taxas de suicídio de estados que já haviam autorizado a prática em janeiro de 2015, antes da lei federal entrar em vigor, e estados que só liberaram os casamentos após a Suprema Corte bater o martelo, seis meses depois.
“Eles são estudantes de ensino médio, então é claro que a maior parte deles não vai se casar tão cedo”, explicou Julia Raifman, uma das autoras do estudo, ao EurekaAlert. “Mesmo assim, legalizar o casamento de pessoas do mesmo sexo reduz o estigma social da orientação sexual. Direitos iguais dão mais esperança para o futuro.”
O suicídio é a segunda maior causa de morte de pessoas na faixa etária dos 15 aos 24 anos nos Estados Unidos — só perde para ferimentos acidentais. A pressão psicológica que LGBTs sofrem na adolescência se reflete no comportamento dos jovens: 29% dos gays, lésbicas, bissexuais e transexuais jovens americanos já tentaram suicídio, contra só 6% dos heterossexuais.
No pioneiro Massachusetts, estado em que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido desde maio de 2004, a taxa de suicídios total no ensino médio caiu 7% com a medida. Considerando só os alunos LGBTs, a queda foi de 14%. Segundo os bancos de dados consultados, esses valores se mantiveram constantes por pelo menos dois anos.
A descoberta prova que políticas públicas têm interferência direta sobre problemas psicológicos particulares, e serve de alerta para os efeitos negativos imediatos que a retirada dos direitos de minorias pode ter sobre a saúde pública de um país.
“Nós todos devemos concordar que reduzir as tentativas de suicídio entre adolescentes é algo bom, e isso não depende de nossa orientação política”, afirmou Raifman. “As decisões que vêm do topo afetam tanto positiva quanto negativamente o que acontece aqui embaixo.”

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