Tirar selfies deixa você mais consciente dos seus defeitos

O fenômeno das selfies tem um grande impacto na nossa vida social: tirar muitas pode ser sinal de narcisismo e também pode fazer o fotografado ser percebido com mais chato – e até mais feio. Mas um novo estudo da Universidade Yonsei, na Coréia do Sul, ajuda a explicar por que as selfies são tão populares: elas mexem na nossa autoestima – tanto para o bem quanto para o mal.

Para avaliar como uma selfie impacta a visão que temos de nós mesmos, os pesquisadores dividiram universitários em dois grupos. Um deles ficou responsável por tirar foto de uma caneca sobre uma mesa. No outro, cada jovem tinha que tirar foto do próprio rosto. Depois que a foto foi tirada, os pesquisadores não quiseram simplesmente perguntar como as pessoas se sentiam, porque acharam que elas não seriam 100% sinceras. Por isso, fizeram testes psicológicos que dão pistas sobre nossa autoimagem.
No primeiro experimento, os participantes observam uma sequência de imagens. Primeiro, surgia a foto do rosto de alguém. Poucos segundo depois, o rosto era substituído por uma seta. O objetivo dos participantes era dizer em que direção a seta apontava.
As pessoas que tinham acabado de tirar a selfie foram muito mais ágeis na brincadeira. Isso porque, segundo os pesquisadores, o teste reflete um estado de “vigilância”, no qual os participantes estavam, inconscientemente, examinando minuciosamente cada detalhe do rosto exibido.
O experimento das setas tem esse mesmo tipo de resultado em outras duas situações específicas: 1) depois que as pessoas passam um tempo se olhando no espelho ou 2) quando apontam uma câmera para elas de surpresa. Ou seja, esta reação surge em momentos em que as pessoas, de repente, têm um pico de consciência sobre os próprios defeitos.
Para confirmar esse efeito da selfie sobre a autoestima, os pesquisadores avaliaram ainda uma outro indício da autoimagem dos participantes. Pediram que eles assinassem documentos, logo antes e e logo depois de tirar a foto.
As pessoas que fotografaram a caneca assinaram os dois papéis da mesma forma. Já com os tiradores de selfie, foi bem diferente: o tamanho da assinatura deles diminuiu. Testes anteriores mostram uma relação entre o tamanho da assinatura e a situação da autoestima das pessoas. A metáfora é clara: quando a autoimagem sofre um baque, queremos sumir – literalmente encolher o nosso “eu”.
Mas, se selfies nos fazem sentir tão mal, por que vemos tantas publicadas por aí? A pesquisa também encontrou uma resposta para essa questão. Os resultados mostraram que a queda na autoestima era revertida quando os participantes postavam a selfie  nas redes sociais – provavelmente porque as curtidas dos amigos ajudavam a levantar o ego depois de tanto escrutínio dos próprios defeitos.

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