A real sobre o bife de papelão – e outros mitos sobre carne

A última sexta-feira (17) virou as geladeiras de todo o país de ponta-cabeça. A operação Carne Fraca, a maior da história da Polícia Federal, levou aos jornais, ao debate público e às redes sociais os métodos e ingredientes usados por mais de 40 empresas do setor alimentício para, com o perdão do trocadilho, encher linguiça. 

Na bolsa, em questão de horas, as ações da JBS caíram 10%, e as da BRF, 7% – a taxa de produção de memes, por outro lado, atingiu uma alta histórica. Apita o Whatsapp e logo surge a foto de um suculento espeto cheio de peças de papelão.
Superpoderes foram atribuídos a substâncias não tão mágicas assim, como o ácido ascórbico, que seria capaz de devolver a boa aparência a qualquer peça de presunto de idade avançada. Já a misteriosa carne mecanicamente separada – mistura de aparas que atende pela sigla CMS e preenche calabresas ao redor do mundo – passou a levar, segundo teóricos da conspiração, ossos moídos junto com o resto da carcaça.   
A SUPER falou com Regina Mendonça, especialista em produtos de origem animal da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais. Ela é mestre e doutora na produção de carnes curadas, como presunto e salame, e concorda com a avaliação de vários especialistas: a revolta com o envolvimento da classe política e do setor público com empresas privadas não pode abrir portas para a generalização das acusações e a circulação de informações falsas. A começar pela do papelão na carne.
Papelão
“A carne é muito perecível, misturada com o papelão, não iria durar no mercado”, diz a pesquisadora. “Por uma eventualidade um pedaço pode ir parar na área de processamento, mas isso não é rotineiro, pois o papelão é embalagem secundária [caixa]. Seja como for, ele não entra como matéria-prima. 
Além do simples fato de que o contato com o papelão diminuiria a vida útil do produto, gastar dinheiro com celulose não é negócio quando há outro recheio, natural e extremamente barato, já que é fornecido pelas carcaças dos animais: a agora lendária CMS. Vamos a ela.

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