Anvisa permite pelo de rato e fragmento de inseto na comida

Imagine achar um pelo de rato ou uma pata de barata na sua comida? Seja qual corpo estranho for, se estiver dentro do limite máximo permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), está liberado. 

Pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC 14) de 2014, um fragmento de pelo de roedor pode ser encontrado a cada 100 g de chocolate ou a cada 10 g de molho de tomate. Já no caso de pedacinhos de insetos, são permitidos até 75 a cada 50 g de farinha. Se for no chá de menta ou hortelã, pode ser até 300 fragmentos a cada 25 g.
Para a engenheira de alimentos Pryscilla Casagrande, coordenadora do centro de competência de alimentação e saúde da Proteste, a legislação estabelece os limites aceitáveis para não provocar danos à saúde, entretanto, mesmo sendo apenas um único pelo de rato encontrado em um alimento, trata-se de um desrespeito ao consumidor. “Dói o coração saber que você pode encontrar fragmentos de roedores ou insetos em um chocolate, por exemplo. E a resolução não deixa claro a dimensão disso, meia barata já é um fragmento. Mas a questão não é simplesmente se faz mal à saúde, mas sim a credibilidade. É muito ruim saber que a indústria não teve todos os cuidados de higiene para o controle da qualidade”, afirma.
Pryscilla explica que nem sempre o impacto é estritamente sanitário. “Também é comum vermos fraudes econômicas. Neste ano, realizamos testes com azeite e várias marcas misturavam óleo. A pessoa paga por propriedades nutritivas que não vai ter”, explica. Das 24 marcas testadas, oito estavam fraudadas. Em média, a Proteste realiza entre dez e 12 testes por ano e encaminha os resultados para a Anvisa, para o Ministério da Agricultura e para o Ministério Público.

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