Conheça a larva que digere sacos plásticos

Na ruínas da usina de Chernobyl, na Ucrânia, já há fungos que se alimentam de radiação. 

E traças comem livros desde que o mundo é mundo. Agora, a evolução biológica revelou o próximo elo de sua culinária eclética — uma que, de quebra, pode dar uma mãozinha para a espécie humana no combate à poluição.
A larva da Galleria mellonella, inseto também conhecido como traça-do-favo-de-mel, come sacos plásticos de supermercado no almoço. Ou, para ser mais técnico, é capaz de digerir polietileno, um dos polímeros mais simples da química, e transformá-lo em etileno glicol, uma espécie de xarope adocicado e muito tóxico que é usado como anticongelante nos motores de carros em lugares frios.
Ela virou notícia hoje após ser descoberta, por acidente, pela bióloga espanhola Federica Bertocchini, que é especialista em desenvolvimento embrionário, mas cria abelhas por hobby. A pesquisadora do Instituto de Biomedicina e Biotecnologia de Cantábria, na Espanha, encontrou uma infestação de mellonellas comendo o mel e a cera de suas colméias no quintal, e precisou limpar a bagunça.
Sem suspeitar do estômago de ferro das danadas, colocou todas em um saco. Má ideia. Quando voltou à cena do crime, algum tempo depois, o plástico parecia um queijo suíço de tão furado, e as larvas rastejavam felizes pelo jardim.
Se você não pode vencê-las, junte-se a elas. Bertocchoni, então, ligou para dois colegas da Universidade de Cambridge, e juntos eles descobriram que as mellonellas não estavam só picando o saco para fugir, mas também se alimentando dele.

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