Estudo aborda o lado ruim – e pouco comentado – da meditação

Estudos afirmam que ela é melhor que férias, que ela impede o cérebro de reagir ao estresse e até que ela é uma boa tática para lidar com as condições de vida péssimas dos presídios indianos. 



Depois de tudo isso, você ainda pode ver nossa entrevista com o instrutor de mindfulness Bernardo Borges – e tentar aliviar a tensão com ele.

Acontece que, apesar a fama de tática infalível para lidar com o mundo contemporâneo, a meditação pode ter consequências negativas. E agora a ciência está começando a abordá-las.
Um artigo científico publicado ontem analisou os impactos psicológicos e físicos da meditação em seguidores de três escolas e tradições budistas: o Teravada, ou theravāda, mais antigo e conservador, o Zen (nome japonês da tradição chinesa ch’an) e o Tibetano.
Os pesquisadores, liderados pelo professor de estudos religiosos Jared Lindahl e o psiquiatra Willoughby Britton, aplicaram questionários a 60 iniciantes, alunos e professores das três orientações, alguns com mais de 10 mil horas de meditação. A ideia era que eles descrevessem situações em que o mergulho interior não fez tão bem assim para alma, um tipo de relato que nos países ocidentais é, em geral, ofuscado pelos efeitos benéficos da prática.
bad trip espiritual já tem até nome no Japão: makyo, “o demônio do mundo real”. A palavra, em um sentido mais amplo, pode denotar ilusão ou alucinação, mas aplicada à meditação Zen se refere aos momentos em que uma memória ou sensação ruim, antes perdida em um canto esquecido da mente, aflora.
Foram colhidos, no estudo, 59 relatos de makyo e seus equivalentes, que foram classificados pelos pesquisadores em várias categorias técnicas (como afetivos, somáticos, perceptuais etc.) Na prática, eles consistiam em sensibilidade à luz e aos sons, distorções na percepção do tempo, náuseas, tiques involuntários, insônia, alucinações, irritabilidade e a lembrança de traumas já esquecidos. Em alguns casos, os voluntários relataram um impacto duradouro e considerável.
Os pesquisadores evitaram associar palavras de teor negativo às experiências sempre que possível, pois muitos praticantes as consideram desafios naturais, intrínsecos à prática religiosa. Entender as maneiras como pessoas com diferentes perfis psicológicos e históricos reagem à cada método de meditação é uma passo importante para entender seus benefícios terapêuticos – e, em último caso, aperfeiçoar seus efeitos.

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