Quer perder peso? Use o prato ondulado da Letônia!

Seria mais fácil fazer regime se você não notasse que está comendo menos em cada refeição – quer coisa pior do que olhar para um prato tão grande com só um montinho de comida no meio?

O designer Nauris Cinovics, da Academia de Artes da Letônia, percebeu que a sensação de barriga cheia é, até certo ponto, tão psicológica quanto física – e deu um jeito de usar o cérebro para combater a obesidade. Ele criou um prato ondulado que torna as refeições mais lentas – e de quebra dá a impressão de estar cheio mesmo quando há pouco conteúdo.
O truque da multiplicação imaginária de comida é fácil de explicar: basta olhar a imagem que abre o post. O fundo, convexo, ergue a iguaria bem no centro, o que transforma a mais inocente colherada de arroz em uma montanha digna de marmita de boteco.
A superfície irregular, por sua vez, obriga o usuário a manipular os talheres – que também são especiais e pesam mais de 1 kg – com mais cuidado, o que aumentou o tempo médio de uma refeição, em testes de laboratório, de 7 para 11 minutos. O princípio é exatamente o mesmo de uma lombada: forçar um carro (ou, no caso, um garfo) a perder velocidade para passar em segurança por um obstáculo. Pescar frango desfiado ou batata palha é especialmente inconveniente.  
Sim, enche o saco. Mas é para o seu bem. Após o início de uma refeição, nosso cérebro demora cerca de 20 minutos para perceber que o estômago está cheio o suficiente – e só então avisa que é hora de parar. Quem come mais rápido do que isso, o que é bastante comum, acaba consumindo, sem querer, muito mais comida que o necessário. Dê a seu corpo tempo de avaliar quanto ele realmente precisa, ele fará isso sozinho.
Ele ainda é um protótipo, agora começarão os testes. Eu já tenho alguma ideia de como eles serão”, me disse Cinovics em uma conversa rápida. “Eu posso dar o prato às pessoas, para que elas o usem em casa e então escrevam diários. Mas eu também quero fazer duas semanas de testes com regras mais duras, controlando o que os voluntários vão comer desde o café da manhã até o jantar. Os resultados devem sair no próximo verão [na Letônia, junho de 2018].” A pesquisa está sendo feita com apoio da LIAA, uma agência governamental de desenvolvimento.
O projeto foi apresentado na cidade do Porto, em Portugal, em uma convenção sobre obesidade que reuniu médicos e especialistas. As reações, em geral, foram positivas. “Há muitas evidências de que nós comemos por razões que não são biológicas – isso também tem a ver com hábito e percepção visual”, afirmou ao The Guardian  Jane Ogden, da Universidade de Surrey, na Inglaterra. “Qualquer objeto que manipule essas sensações pode muito bem ser uma forma eficiente de comer menos. Conte para o seu corpo que você está comendo muito, e você acabará comendo pouco.
É bom lembrar que a ideia de manipular a louça em prol da saúde não é nova – reduzir a circunferência de um prato em cerca de 20%, já está provado, gera uma redução similar no número de calorias consumido sem afetar a sensação de saciedade. “Muitas pessoas acham que precisam comer toda a comida do prato”, afirma Cinovics. “Se você puder satisfazer essa percepção, elas vão pensar que comeram uma refeição completa.”

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