Hospitais de Brasília usam produtos proibidos pela Anvisa

Hospitais da rede pública do Distrito Federal continuam usando produtos proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para limpeza de materiais, prevenção de infecções hospitalares e até na pele de pacientes em procedimentos médicos e preparação cirúrgica.
A denúncia de servidores foi feita juntamente com um vídeo divulgado durante o fim de semana.
Ao todo, cerca de 30 produtos foram proibidos pela Anvisa, no último dia 2 de maio, por oferecerem "alto risco à saúde". Mas pelo menos 6 deles ainda fazem parte da lista de materiais dos hospitais de Brasília.
A Vic Pharma informou ao G1 "está trabalhando com a Anvisa para solucionar questões levantadas pela agência" e enquanto isso "suspendeu a comercialização dos produtos da linha de medicamentos da companhia" (veja nota ao final da reportagem).
A Anvisa condenou o uso dos produtos da empresa após uma inspeção, e determinou o fim imediato da fabricação e distribuição em todo o país. Os vídeos, no entanto, mostram os frascos do antisséptico em uso no pronto socorro do Hospital de Base, de Taguatinga, de Sobradinho e de Ceilândia.
Hospitais públicos usam produtos proibidos pela Anvisa para desinfetar ambiente hospitalar
A Secretaria de Saúde do DF disse que mandou um comunicado aos hospitais públicos e privados ao perceber que os produtos da Vic Pharma ainda estavam sendo usados. Também informou que a Vigilância Sanitária fará uma inspeção a partir desta segunda-feira (19), para identificar e recolher os produtos. A pasta disse ainda que começou a fazer um levantamento para saber onde tem antissépticos de outras marcas para mandar para os hospitais.
A presidente da Sociedade Brasileira de Farmácia, Maely Retto, confirmou o risco do uso destes produtos.
“Podem estar contaminados, ou seja, já saíram da fábrica com algum tipo de bactéria”
Maely também informou que os mesmos produtos estavam sendo usados na rede pública do Rio de Janeiro, mas já foram substituídos. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sindisaúde), Rodrigo Conde, criticou a demora para a reposição e afirmou que a entidade vai acionar o Ministério Público.
“Os colegas servidores estão trazendo essa demanda a todo momento de todas as unidades porque sabem que estão manuseando algo que não deveria estar mais no ambiente hospitalar”, afirmou.
A Secretaria de Saúde disse que está “modificando processos internos para que resoluções como esta cheguem de forma mais rápida às unidades de saúde”.

Outro lado

A Vic Pharma diz que apenas a comercialização da linha de medicamentos está suspensa. Informou ainda que "os lotes dos produtos que estavam em circulação estão em processo de recolhimento (recall de produto), cumprindo estritamente todos protocolos previstos".
Ainda de acordo com a empresa, "os lotes suspensos pela Anvisa não apresentam adulteração ou contaminação. A solicitação de recolhimento deve-se à necessidade de ajustes nas práticas de fabricação".
Em relação aos riscos à saúde, a companhia explicou que "o chamado Classe de Risco III faz parte de uma classificação da própria agência onde o nível mais grave é o I e o de menor risco à saúde é o III – situação de baixa probabilidade de que o uso ou exposição ao medicamento posso causar consequências adversas à saúde humana".

Do G1 DF

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