Governo do AM diz que jovem que contraiu raiva humana está curado; Ministério da Saúde não confirma

O adolescente de 14 anos que contraiu raiva humana em novembro de 2017 já é considerado curado. É o que afirma a Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam). Mateus Castro saiu da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Fundação de Medicina Tropical (FMT).


 A Susam afirma que ele é a quarta pessoa a sobreviver à doença em todo o mundo, e a segunda no Brasil - o Ministério da Saúde ainda não confirmou a informação.
Dois irmãos de Mateus morreram em decorrência de raiva humana no ano passado. Os três contraíram a doença após ataque de morcegos na Zona Rural de Barcelos, município a 401 Km de Manaus.
Segundo o infectologista Antônio Magela, da FMT, a diferença de Mateus para os irmãos pode ter sido a internação precoce, logo após o aparecimento dos primeiros sintomas.
Morcegos hematófagos podem transmitir a raiva (Foto: Adapec/Divulgação)Morcegos hematófagos podem transmitir a raiva (Foto: Adapec/Divulgação)
Morcegos hematófagos podem transmitir a raiva (Foto: Adapec/Divulgação)
Mateus vai continuar em tratamento por pelo menos mais quatro meses. Ele terá uma equipe multidisciplinar de reabilitação para tratar as sequelas motoras e na fala. O adolescente foi submetido ao protocolo de Milwaukee, indicado pelo Ministério da Saúde (MS), com uso dos medicamentos Biopterina e Amantadina.
O jovem deu entrada na FMT no dia 2 de dezembro com sintomas de febre e formigamento nas mãos.

Doença

A raiva é uma zoonose viral, que se caracteriza como uma encefalite progressiva aguda e letal. Todos os mamíferos são suscetíveis ao vírus da raiva e, portanto, podem transmiti-la.
A doença apresenta dois principais ciclos de transmissão: urbano e silvestre.
A transmissão da raiva se dá pela penetração do vírus contido na saliva do animal infectado, principalmente pela mordedura, arranhadura, lambedura de mucosas.
Morcego recolhido em Barcelos para estudo (Foto: Divulgação/Susam)Morcego recolhido em Barcelos para estudo (Foto: Divulgação/Susam)
Morcego recolhido em Barcelos para estudo (Foto: Divulgação/Susam)
O vírus penetra no organismo, multiplica-se no ponto de inoculação, atinge o sistema nervoso periférico e, posteriormente, o sistema nervoso centra (sentido centrifugo). A partir daí, dissemina-se para vários órgãos e glândulas salivares, onde também se replica (sentido centrípeto) e é eliminado pela saliva das pessoas ou animais enfermos.
A imunidade é conferida por meio de vacinação, acompanhada ou não por soro; dessa maneira, pessoas que se expuseram a animais suspeitos de raiva devem receber o esquema profilático.

Primeira cura no Brasil

primeiro paciente a ser considerado curado da doença no Brasil foi Marciano Menezes, no ano de 2009, em Recife (PE). Na época, ele tinha 16 anos e ficou onze meses internado.
Depois que deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ele passou por uma cirurgia ortopédica, no entanto, os membros superiores e inferiores estavam atrofiados. Ainda assim, o sertanejo ficou movimentando os braços e as pernas, mas de forma limitada. “Eu tenho esperança de um dia voltar a andar”, disse Marciano em 2014, ao G1.
Curado de raiva humana, Marciano Menezes faz fisioterapia (foto de 2014) (Foto: Reprodução/ TV Asa Branca)Curado de raiva humana, Marciano Menezes faz fisioterapia (foto de 2014) (Foto: Reprodução/ TV Asa Branca)
Curado de raiva humana, Marciano Menezes faz fisioterapia (foto de 2014) (Foto: Reprodução/ TV Asa Branca)
(*colaborou Flávia Rezende, da Rede Amazônica)

Do G1 AM

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