Com quantas raças se faz um vira-lata? Você pode ajudar a descobrir

Os vira-latas – ou cães sem raça definida (SRDs), para usar o jargão veterinário – ainda sofrem preconceito. 

Mas uma nova geração de donos está cada vez mais consciente dos problemas éticos da seleção artificial de cachorros com pedigree– e o número de cãozinhos que vêm de fábrica só com amor, sem etiquetas, está aumentando nos lares brasileiros. Em 2010, Folha de S. Paulo descobriu que o mascote favorito dos paulistanos não é o Yorkshire nem o Golden, e sim o bom e velho SRD pretinho básico.
Para entender melhor como o cidadão médio vê os vira-latas – e o que ele leva ou não em consideração na hora de adotar um –, pesquisadores de Harvard, do MIT e da Associação Internacional de Consultoria do Comportamento Animal (IAABC) organizaram o projeto MuttMix. Parece nome de barrinha de cereal, mas é melhor. Eles estão fazendo testes de DNA com a saliva de dezenas de animais sem raça definida, e vão traçar um perfil genético preciso dos antepassados de cada um para saber exatamente qual mistura deu origem a cada um deles. 
Depois, voluntários do mundo poderão ver fotos desses cachorros e contar para os pesquisadores, sem ver os testes de paternidade, de quais raças eles acham que cada mascote é majoritariamente composto. Nariz achatado? Talvez um avô buldogue. E esse pelo branco enorme? Quem sabe o pai não era um sheepdog? Ao bater esses dados com as informações genéticas, os pesquisadores saberão exatamente até que ponto nós somos capazes de prever, só de olhar, o comportamento e o tamanho que alcançará um filhote sem raça. E quanto o preconceito dá as caras nessa hora. Afinal, você levaria um vira-lata com jeito de pit bull para casa?
E vai além: é muito provável que o comportamento que atribuímos a cada raça na verdade seja resultado do fato de que donos acabam criando os cachorros para que eles sejam como os seres humanos esperam que eles sejam. Suponha que um vira-lata tenha 85% de DNA de salsichinha (dachshund), mas não tenha a aparência comprida característica nem as patinhas curtas. Talvez ele exiba comportamentos considerados típicos da raça – como a timidez e a vontade de cavar buracos –, prova de que a genética é importante. Por outro lado, há alguma chance de que ele não faça nada disso – e que salsichinha só são assim porque os condicionamos a ser.
Essas respostas podem ajudar a desenvolver políticas de adoção melhores e a tirar cachorros das ruas. Para se inscrever e participar do estudo, basta acessar a página oficial do projeto. Os voluntários receberão e-mails anunciando o início do experimento em meados de abril. 60 dias depois, chegará uma mensagem de agradecimento com o gabarito genético dos cachorros analisados. Participe.

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